Publicado 12 de Agosto de 2014 - 11h30

Por João Nunes

O Segredo dos Diamantes

João Nunes

O Segredo dos Diamantes

O infanto-juvenil O Segredo dos Diamantes, de Helvécio Ratton, surge no 42º Festival de Cinema de Gramado meio fora de lugar. Não que não se possa ter filmes de gênero, mas há visível deslocamento na competição em relação aos filmes chamados adultos.

 

Pode-se gostar do filme, inseri-lo numa categoria de resgate de histórias ingênuas (porque haja ingenuidade) de um passado nem tão distante assim (alguém o relacionou aos Trapalhões), pode-se acha-lo simpático (e é) e que cumpre um papel no mercado carente (o infanto-juvenil), mas ele está numa competição e deve ser visto sob olhar crítico menos condescendente.

 

Com toda a simpatia do trio pré-adolescente (Matheus Abreu, Rachel Pimentel e Alberto Gouvea), fica evidente que eles precisariam de melhor preparo para encarar os respectivos personagens. Não só falam decoradinho como, visivelmente, mostram que estão atuando – e mal.

 

Não é fácil trabalhar com crianças, mas os preparadores de elenco hoje em dia fazem milagres – há inúmeros exemplos, Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002), é só um deles. Não basta a simpatia nem a ingenuidade.

 

E incomoda que uma fantasia (já que citaram Os Trapalhões) interfira de forma decisiva na realidade. Angelo, o protagonista, vai em busca de um tesouro (resultado de uma lenda) para salvar o pai. A fantasia, como código dramatúrgico, só pode funcionar dentro do universo da fantasia.

 

A não ser que interpretemos que houve quebra de um padrão – e padrões são feitos para serem quebradas. Mas, para isso, seria necessário convencer que funciona. A mim me parece que não.

 

Penso em Harry Potter, que lida com personagens e situações de um mesmo universo fantasioso. Por isso acreditamos, pois é mágico e tudo se torna possível.

 

O Segredo dos Diamantes quer nos fazer acreditar numa lenda impossível que dá certo, funciona, ou seja, a lenda existia de fato e modifica a realidade. Pode ser bacaninha como história, duro me convencer que aquilo faz sentido.

 

*O jornalista viajou a convite do festival

Escrito por:

João Nunes