Publicado 30 de Julho de 2014 - 10h14

Por Bruno Bacchetti

Plenário da Assembleia Legislativa: dos 145 postulantes, 81 têm formação acadêmica

Cedoc/ RAC

Plenário da Assembleia Legislativa: dos 145 postulantes, 81 têm formação acadêmica

Mais da metade dos candidatos a deputados estadual e federal da Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem curso superior completo.

 

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 81 dos 145 candidatos registrados na região para disputar as eleições do dia 5 de outubro têm formação acadêmica, o que corresponde a 55,9% do total. Outros 16 postulantes da região (11%) têm Ensino Superior incompleto.

 

A média do nível de escolaridade dos candidatos aos cargos públicos da RMC é maior do que a nacional (44,5%) e a estadual (51%).

Apenas um dos candidatos possui formação fundamental incompleta. Outros dez postulantes (6,9%) a uma cadeira da Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados possuem Ensino Fundamental completo, dois (1,4%) Ensino Médio incompleto e 35 (24,1%) Ensino Médio completo.

Os números poderão ser atualizados até o dia da eleição, pois os pedidos de registro ainda serão julgados pelos juízes eleitorais e novas informações devem ser recebidas pelos tribunais regionais eleitorais. A decisão da Justiça Eleitoral irá avaliar se os candidatos estão aptos a concorrer.

Para o cientista político Pedro Rocha Lemos, professor da PUC-Campinas, a formação em curso superior é benéfica, uma vez que possibilita ao deputado melhor entendimento do processo político e da legislação. No entanto, não garante um bom desempenho na atividade parlamentar.

 

“É claro que quanto mais formação o candidato tiver, ele terá maior capacidade intelectual de analisar o processo e cuidar da gestão. Mas não é a formação que vai qualificá-lo. Tem candidato sem curso superior, mas com liderança e capacidade de lidar com as realidades existentes”.

Pelo menos 20% dos candidatos a deputado estadual e federal da RMC já exercem mandato político. Vinte e um postulantes declararam ao TSE como ocupação serem vereadores, e outros oito deputados. Porém, o número é ainda maior, uma vez que alguns políticos declararam a profissão fora da política.

Dos vereadores de Campinas que são candidatos, por exemplo, cinco declararam a ocupação paralela: Luiz Lauro Filho (publicitário), Campos Filho (jornalista), Rafa Zimbaldi (empresário), Luiz Carlos Rossini (administrador) e Paulo Bufalo (professor).

Outros deputados da região, como Antonio Mentor (empresário), Gustavo Petta (jornalista) e Rogério Nogueira (empresário) também declararam outra ocupação. Segundo Lemos, os candidatos que já ocupam um cargo político largam na frente dos demais concorrentes.

“Num certo sentido levam vantagem. O nome que já tem uma referência, é sempre repetido e publicado na mídia, aproveita esse know-how e fortalece muito. Já sai com uma certa vantagem e os outros vão ter que fortalecer o nome”, avaliou o especialista.

Das 20 cidades da RMC, 12 terão vereadores-candidatos em outubro: Americana, Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Hortolândia, Jaguariúna, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.

Vice-prefeita de Holambra, Naiara Hendrikx (PMDB), concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa.

“Pelo sistema político do Brasil, os partidos não têm um significado forte na cabeça dos eleitores, por isso o eleitor vota na pessoa e os nomes são mais fortes”, observou Lemos. Além dos candidatos que já são políticos, as principais ocupações citadas foram empresário (20), professor (nove), advogado e administrador (oito cada).

Renovação

Apesar do grande número de candidatos que já exercem um cargo político, o especialista estimou que a insatisfação do eleitor demonstrada com a onda de manifestações ocorrida no ano passado possa trazer reflexos nas urnas.

 

“Os movimentos que aconteceram de junho para cá, com mais envolvimento da pessoa com a política, pode ser que tenhamos uma renovação. Estudos apontam que pelo menos 50% dos parlamentares deve ser renovado”, finalizou.

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Bruno Bacchetti