Publicado 07 de Junho de 2014 - 8h44

Tapume verde isola as obras de reconstrução da rua engolida por deslizamento: buraco tem 50 metros de extensão e 15 metros de profundidade

Élcio Alves/ AAN

Tapume verde isola as obras de reconstrução da rua engolida por deslizamento: buraco tem 50 metros de extensão e 15 metros de profundidade

A Prefeitura prevê que a obra na cratera que engoliu uma rua e parte de uma praça no bairro Cambuí, em Campinas, seja finalizada até a segunda quinzena de agosto. O prazo é da empresa responsável pelo terreno, GNO Empreendimentos e Construções. Além da reconstrução da Rua Gustavo Armbrust e do muro de contenção da obra, a praça que foi destruída, Salim Jorge, também será entregue reconstruída, como era antes, dentro desse prazo.

Ontem, completou um ano do acidente que assustou moradores e comerciantes do local. A cratera de 50 metros de extensão e 15 de profundidade se abriu durante os trabalhos de fundação da construção de um prédio comercial. O acidente ocorreu depois do muro de contenção da obra da GNO ceder. Além de um trecho da rua, árvores, postes, calçadas e parte da praça foram engolidos pelo buraco. Ninguém ficou ferido. O acidente só não foi mais grave porque uma hora antes agentes da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) perceberam a rachadura no solo e providenciaram a retirada dos funcionários do canteiro e de empresas do entorno. No local, está sendo construído um edifício comercial de 11 andares.

De acordo com a Prefeitura, a estrutura de todos os subsolos até o térreo, junto ao paredão, já foram construídos no barranco, para evitar novos deslizamentos. O local permanece todo fechado.

Pessoas que trabalham e moram no entorno reclamam que é difícil saber como está o andamento da reconstrução da área, já que o espaço fica todo fechado. Afirmam que é mais comum ver movimento de operários no período da manhã. A reportagem esteve no período da tarde de ontem no local, mas não havia ninguém trabalhando. “Antes, era fácil o acesso para o Nova Campinas, e regiões da Ponte Preta e Taquaral. Agora está mais complicado. Na obra está tudo coberto com plástico. Quando o acidente aconteceu encheu de autoridades aqui, a gente não conseguia nem chegar perto. Agora, é um descaso total das autoridades”, afirmou um morador que não quis se identificar

O prazo estabelecido para o término da obra seria o final do, mas pela previsão da Prefeitura, a obra está adiantada.

Causas

Segundo o laudo feito quando o acidente ocorreu, houve falha na formação das estruturas de concreto no solo, chamadas bulbos de ancoragem. Houve ainda outros fatores, entre eles a adoção de parâmetros de resistência do maciço de solo elevados frente às características dos materiais encontrados no local e a simplificação do modelo de distribuição das tensões horizontais.

Outro motivo foi a elevação do nível de água do local por causa de vazamento da rede de abastecimento existente perto da parede, que pode ter ocorrido por causa da movimentação do solo e o peso de caminhão de concreto e falhas na execução dos tirantes. A conclusão foi que essas falhas na execução dos tirantes foi a principal causa da ruptura.

De acordo com a Prefeitura, os fatos apontados no documento não serão usados para imputar punições à construtora, mas servirão para aprimorar os procedimentos e garantias nas futuras liberações de obras para a execução de paredes moldadas no solo (paredes diafragmas).

A GNO informou por meio da assessoria de imprensa que somente a Prefeitura fala sobre o assunto.

 

 

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