Publicado 03 de Maio de 2014 - 5h30

Desde o tempo em que as eleições em todos os níveis se decidiam pelos históricos comícios que revelaram grandes oradores entre os candidatos de outrora, o poder de convencimento dos políticos vem se transformando com a inclusão de novos hábitos, realidades trazidas pela renovação do conhecimento e, principalmente, pela inclusão da tecnologia no panorama do hoje chamado marketing eleitoral. Embora o trabalho direto com os eleitores tenha papel fundamental, a abrangência do eleitorado exige que se incorporem técnicas mais eficazes para tornar conhecidos os postulantes às funções públicas.

Não resta dúvida do papel da internet nesse meio. Surgida como meio de comunicação social apenas no final do século passado, a rede digital inseriu-se na vida das pessoas de forma fulminante e inquestionável, determinando comportamentos, ampliando horizontes de informação, definindo-se como indispensável instrumento de trabalho. E, na mesma velocidade, alcançou as redes sociais com um poder de fogo que tende a crescer continuamente.

Nas eleições presidenciais passadas, a então candidata do PV Marina Silva surpreendeu ao conquistar 20 milhões de votos, atribuídos principalmente ao intenso uso da internet como instrumento de divulgação. A experiência lançou um parâmetro diferente nos comitês eleitorais e hoje organizam-se núcleos para a campanha digital nos planos de marketing. Há uma rede já estabelecida de pessoas que farão o seu trabalho de alcançar os eleitores por todos os meios eletrônicos acessíveis, deflagrando uma guerra de informação jamais vista (Correio Popular, 27/4, B1).

O lado positivo da disseminação da informação é que mais pessoas estarão envolvidas com o processo eleitoral, exercendo seu espírito crítico e distinguindo as propostas dos candidatos. Mas é possível que o sistema descambe para um desserviço à democracia, com a difusão de mentiras e armadilhas que poderão afetar os candidatos. A amplitude da rede e a falta de uma regulamentação tornarão difícil qualquer medida efetiva que pretenda conter abusos, até porque os “exércitos digitais” estão disfarçados de simples usuários das redes sociais, que podem ser confundidos com militantes empenhados.

As últimas eleições foram um exemplo do quanto pode ser rebaixado o nível de uma campanha, beirando a insensatez e o desespero pela conquista dos votos. Em última análise, o que se pode esperar é uma guerra crua e permeando os limites da ética, cabendo unicamente aos eleitores o discernimento do que lhes convêm e estabelecendo um padrão elevado de debate e proposições.