Publicado 02 de Maio de 2014 - 5h30

Pelo menos 50 mil pessoas acompanharam as principais atrações em comemoração ao Dia do Trabalho ontem na região do Campo Grande, em Campinas. A festa, organizada pela Regional da Força Sindical com apoio da Prefeitura, teve como palco a Praça João Amazonas, no Parque Itajaí, com shows musicais e sorteio de prêmios.

“Foi uma festa que superou nossas expectativas de público. Sabemos que é isso que o povo precisa e quer. São eventos na periferia da cidade e bem organizados que fazem a diferença e a alegria de todos”, disse Jairson Canário, secretário de Trabalho e Renda de Campinas.

Segundo ele, a decisão de levar a festa do Trabalhador para a periferia nesse ano foi acertada. “No ano passado, a festa realizada no Centro atraiu 20 mil pessoas. Nesse ano, aqui no Campo Grande foram 50 mil pessoas”, destaca. A festa teve início às 12h com apresentações de grupos locais, bandas de pagode e duplas sertanejas. A animação tomou conta do público após às 17h com a apresentação do grupo Art Popular. O início do sorteio, que deu aos participantes dois carros 0Km, três motos e diversos eletroeletrônicos animou ainda mais os que esperavam o ponto alto da festa, que foi a presença do cantor Belo.

“Eu esperei a tarde toda por esse show e esperaria mais a noite toda se fosse preciso. Eu amo o Belo e mesmo não podendo chegar perto eu já fico feliz”, disse a telefonista Mariângela Souza Silva, que foi à festa na esperança de chegar perto do ídolo.

Espremidas entre o público que queria dançar ao som das músicas do cantor, a enfermeira Dayane Constantino estava com suas duas filhas. “É uma oportunidade de ver o Belo cantar. Não perderia esse show por nada”, garante.

E não foram somente as mulheres que cantaram embaladas pela voz do cantor. O músico Erisvaldo Matias da Conceição saiu de Hortolândia para curtir a festa do Dia do Trabalho em Campinas. “É claro que eu gostaria de ganhar um carro no sorteio também, mas eu vim para assistir aos shows, especialmente do Belo. Gosto das músicas que ele faz e que falam de amores”, afirmou.

Apesar de a atração maior da festa ser realizada no palco principal, onde as bandas se apresentaram, o local da festa contou com espetáculo de trapezistas voadores, que se posicionaram numa área atrás do palco. “A Praça João Amazonas comporta 70 mil pessoas e está lotada. Essa é uma festa de sucesso”, afirmou o coordenador da Força Sindical em Campinas, Paulo Ritz.

De acordo com ele, apesar do número de participantes, não houve registro de nenhum incidente. Para garantir a segurança da população, Ritz disse que 70 policiais militares participaram da operação, além de 60 guardas municipais e 80 seguranças particulares e 20 homens do Corpo de Bombeiros.

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Missa na Catedral e passeata abrem as comemorações

A tradicional missa na Catedral Metropolitana seguida de uma passeata de entidades sindicais e partidos de esquerda pelas ruas do Centro abriram as atividades comemorativas ao Dia do Trabalho, em Campinas, ontem de manhã. De acordo com estimativa da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), cerca de 300 pessoas participaram do ato contra a precarização das condições de trabalho. A Copa do Mundo e a crise na Petrobras também foram alvo de críticas no discurso dos dirigentes sindicais ao longo da passeata. Outro evento na parte da tarde foi organizado pela Prefeitura e Força Sindical, na praça João Amazonas, no Campo Grande.

Os participantes do ato se concentraram no Largo do Pará por volta das 8h. Pouco depois das 10h, seguiram em passeata pelas ruas Barão de Jaguara, Bernardino de Campos e Francisco Glicério, até chegarem ao Largo da Catedral, onde os dirigentes sindicais discursaram em cima de um carro de som.

A passeata transcorreu em clima pacífico. O único princípio de confusão ocorreu quando um microônibus tentou atravessar a Avenida Moraes Salles e furar a passeata, mas os participantes do ato entraram na frente do veículo e impediram a passagem.

“Esse evento é importante para criar um caráter de identidade da classe trabalhadora, que se perdeu nos últimos anos com a ascensão do poder aquisitivo. Entre as nossas principais bandeiras estão redução da jornada sem redução salarial, fim do fator previdenciário e valorização dos aposentados”, afirmou o coordenador da subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Campinas, Carlos Fábio.

Em seu discurso, o vereador Paulo Bufalo (PSOL) criticou o evento festivo organizado pela Prefeitura que seria realizado à tarde e lembrou dos acidentes de trabalho que vitimaram milhares de trabalhadores nos últimos anos. “As atividades festivas querem tirar o foco do 1 de Maio. Precisamos lembrar dos acidentes e mortes no trabalho. Não é possível que passemos pelo 1 de Maio sem lembrar o trabalho escravo e a jornada abusiva de trabalho”, disse.

Para Amilton Mendes, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Campinas e Região, o 1 de Maio é uma data para reflexão dos trabalhadores e luta por melhores condições de trabalho. “Os trabalhadores têm que se conscientizar do que está acontecendo. Queremos construir uma sociedade onde os trabalhadores sejam respeitados”, disse Mendes. (Bruno Bacchetti/AAN)