Publicado 02 de Maio de 2014 - 5h30

Campinas vive hoje a maior epidemia de dengue de sua história e tem sofrido com as consequências da doença, com hospitais lotados e unidades de saúde sobrecarregadas. Outras cidades já passaram pela crise e algumas chegaram a registrar 76 mil notificações da doença.

Em 2011, a cidade do Rio de Janeiro registrou, entre o dia 1 de janeiro a 31 de dezembro, um total de 76.404 casos notificados da doença. Segundo a Prefeitura, foram notificados 87 casos na semana de 25 a 31 de dezembro. Foram confirmados nesse mesmo ano 51 óbitos pela doença no município.

Já no Estado do Rio, a situação era pior: foram registrados 168.242 casos de dengue no ano de 2011. Segundo a Secretaria de Saúde, abril foi o mês com o maior número de incidência da doença, quando foram notificados 52.948 casos de infecção pelo mosquito Aedes aegypti. No período, ocorreram 140 mortes em consequência da doença.

Em Santos — a 193 quilômetros de Campinas —, foi registrado em 2013 a maior epidemia de sua história, com mais de 9,5 mil casos e seis mortes, sendo cinco idosos. A cidade teve queda nos casos de dengue no segundo semestre, segundo a Prefeitura.

Em 1 de julho teve início o ano epidemiológico 2013/2014, que registrou, até 20 de novembro, 12 casos notificados no município do Litoral. No mesmo período de 2012/2013, a cidade registrava 72 casos.

Outra cidade no Estado de São Paulo que sofreu grandes epidemias de dengue foi Ribeirão Preto — 223 quilômetros de Campinas. Em 2013, foram registrados 13.179 casos de dengue contraídos na própria cidade, 4.000% a mais que em 2012, que registrou 310 casos. Em 2010 e 2011, Ribeirão viveu grandes epidemias, com 29.637 e 23.384 casos confirmados, respectivamente.

Século 19

Os primeiros relatos de dengue no Brasil datam do final do século 19, em Curitiba (PR), e do início do século 20, em Niterói (RJ). Há referências de epidemias de dengue desde 1916, em São Paulo, e em 1923, em Niterói, no Rio de Janeiro, sem comprovação laboratorial.

O primeiro surto de dengue registrado no Brasil após a reentrada do mosquito em território nacional aconteceu no ano de 1981 em Boa Vista, capital de Roraima. Foi também a primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente. Os sorotipos 1 e 4 foram identificados, mas não se alastraram pelo Brasil.

O Aedes aegypti, vetor da dengue, é uma espécie de mosquito originário da África. Acredita-se que tenha aportado no continente americano junto com os navios negreiros, na época da colonização. Já o vírus da dengue é proveniente da Ásia e só chegou depois à América.

CS inacabado é foco do mosquito

Um dos principais símbolos do grupo de obras inacabadas em Campinas, herdadas de governos anteriores, o Centro de Saúde (CS) São Bernardo agora é ponto de furtos de material de construção e potencial criadouro de dengue. Moradores do entorno reclamam que pessoas entram no terreno à noite para roubar tijolos e lajotas abandonadas. Além disso, o mato e sujeira que se acumulam no local atraem bichos peçonhentos e mosquitos.

O Correio esteve no local e constatou a degradação. O mato toma conta da área, que virou deposito de copos plásticos e lixo orgânico. Dentro do esqueleto inacabado do CS há rastros de sujeira de usuários de drogas que se abrigam na construção à noite. Os tijolos de concreto armazenados no terreno sofrem com intempéries. Com apenas uma porteira de madeira delimitando o espaço, vândalos e ladrões de material de construção têm fácil acesso ao local.

Uma moradora do condomínio em frente ao CS, que não quis se identificar, contou que ela e seus vizinhos temem que a construção tenha se tornado foco de dengue. “Aqui no prédio tem algumas pessoas com a doença. A gente toma conta dos espaços do condomínio. Acredito que o postinho, que está inacabado, tenha foco dos mosquitos (Aedes aegypti)”, disse. A moradora afirmou ainda que vândalos roubam tijolos armazenados no CS. “Eles vêm de carro à noite. E assustam os moradores”, completou. Para a dona de casa Maria Aparecida Davoli, de 45 anos, se fosse terminado, o postinho poderia poupar o tempo de ida a outros Centros de Saúde. “Seria mais fácil atravessar a rua e receber atendimento”.

O investimento estimado para concluir o CS é de R$ 1,5 milhão. A Secretaria de Saúde informou, em janeiro, que a infraestrutura existente no local está passando por uma análise, para saber se houve danos ao prédio devido ao abandono. A Secretaria de Infraestrutura deve emitir um parecer se a construção pode ser aproveitada. Mas a Pasta informou está semana que ainda não há prazo para que isso ocorra. Caso possa ser utilizada, a obra será iniciada ainda este ano, do contrário, será necessário abrir um novo processo licitatório.

A Secretaria de Saúde informou ainda que será feita uma limpeza no local, a partir da próxima segunda-feira. A Vigilância Sanitária da região Sul checará ainda se o terreno tem criadouros do mosquito da dengue.