Publicado 02 de Maio de 2014 - 5h30

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), estendeu o prazo de duração do abastecimento de água via volume morto do Sistema Cantareira para janeiro de 2015. O tucano afirmou que, numa análise “pessimista”, a chamada “reserva técnica” será suficiente para abastecer os municípios que dependem do sistema por pelo menos oito meses, 60 dias a mais do que o previsto inicialmente. O estudo feito pela Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento, segundo Alckmin, considerou a vazão mínima histórica. Diante da crise hídrica, em entrevista exclusiva ao Correio ontem, o tucano disse que conta com as chuvas a partir de setembro, mas que a reserva é suficiente para garantir o recurso até que o Cantareira passe a receber o reforço de outras bacias, o que deve ocorrer em setembro.

O sistema, que abastece parte da Capital e da grande São Paulo, além da região de Campinas, vive a maior crise de sua história — ontem, os reservatórios operavam com apenas 10,5% da capacidade total.

A situação forçou o governo do Estado a adiantar alguns projetos e fazer as obras emergenciais para a captação do volume morto. Segundo Alckmin, em 15 dias, todas as obras de bombeamento desta reserva de água estarão prontas. Ele também afirmou que a condição climática que provocou a estiagem atípica desapareceu e que as chuvas do segundo semestre deverão aliviar o sistema. “Eu aprendi uma coisa. Meu pai era veterinário. Nós morávamos em zona rural. Aprendi que chove em mês com “R”. A partir de setembro começam as chuvas. A partir de novembro as chuvas ficam intensas. Nós estamos fazendo um monitoramento diário. Se nós conversássemos há um mês (sobre o volume morto), seria novembro. Agora já é janeiro. O mês de abril foi melhor”, disse o governador.

Para o governador, a seca atípica do início deste ano não deverá ocorrer novamente e, por enquanto, segundo o tucano, não existe possibilidade de desabastecimento ou racionamento. “Hoje não há nenhum indicador da necessidade de rodízio de água. Pelo contrário, até aumentou o período de utilização da água da reserva técnica. Em setembro, entram 0,5m3/s por segundo do Rio Grande, em São Paulo. Em outubro, entra mais 1m3/s do Sistema Guarapiranga. Estamos ampliando todas as estações de tratamento de água para poder substituir uma parte do Cantareira. Em fevereiro do ano que vem entra mais 1,5m3/s, também do Rio Grande”, afirmou.

Apesar de ter desenhado um cenário mais otimista, Alckmin disse, porém, que a durabilidade do volume morto depende de monitoramento e das condições climáticas. O cenário, segundo ele, poderá sofrer modificações.

Bônus

Outra aposta do governo do Estado é na política do bônus para quem optar pela economia de água. Os municípios que serão beneficiados são os abastecidos pela Sabesp (leia texto abaixo). Sobre uma ação conjunta entre o governo do Estado e outras cidades que têm abastecimento próprio para tentar uma maior economia de água, Alckmin afirmou que não vai provocar constrangimentos. “Nós estamos fazendo nos 11 municípios do PCJ (bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) operados pela Sabesp. Cabe no caso de cidades com abastecimento próprio uma avaliação. Nós não vamos criar constrangimentos. Cada município tem um custo, mas seria bom. Aqui em São Paulo a experiência foi positiva. Tivemos agora os dados de abril e 81% dos consumidores economizaram. Desses, 39% ganharam o bônus”, disse Alckmin.

Obras

O governador também anuncia hoje a contratação da empresa que será a responsável pelo estudo técnico, projeto executivo, o EIA-Rima e a aprovação ambiental para obras de dois novos reservatórios, em Pedreira e Amparo. Uma única empresa será a responsável por todas as ações o que, segundo o governador, dará agilidade às construções. A previsão do governo do Estado é finalizar essas etapas em 15 meses para a abertura da licitação. Os reservatórios devem armazenar 75 bilhões de litros de água, o que equivale a 7,7% da capacidade do Sistema Cantareira. Após a conclusão dos estudos e de todas as liberações, a previsão do tucano é que o sistema seja construído em dois anos.

Alckmin também afirmou que pretende adiantar o início das obras de interligação do Sistema Cantareira com o Rio Paraíba. A estimativa é de 120 dias. “Queremos fazer, se possível, em 90. Serão 15 quilômetros entre Nazaré Paulista, que é da represa do Atibainha no Cantareira, com o município de Igaratá, onde está a represa do Jaguari, que é da bacia do Paraíba. Essa interligação deve possibilitar a captação de 5,1m3/s”, disse o tucano.

As obras propostas pelo governo para aliviar a crise, segundo Alckmin, não foram pensadas agora. Uma das críticas feitas ao governo por promotores do meio ambiente e por membros do Comitê PCJ foi sobre a demora, por questões políticas, em tomar providências contra a dependência do Cantareira. Alckmin negou que tenha protelado suas decisões e defendeu a atual rede de abastecimento. “O Sistema Cantareira foi concebido para atender a Região Metropolitana de São Paulo e do PCJ. A metrópole de São Paulo tem 22 milhões de habitantes, está a 700 metros de altura e não tem água. Então você vai buscar longe”, disse.

Cidades da RMC festejam bônus, mas ainda desperdiçam

As cidades de Paulínia, Itatiba, Morungaba, Monte Mor e Hortolândia, na Região Metropolitana de Campinas (RMC), passaram a fazer parte ontem do grupo de municípios que terão desconto na conta de água em caso de economia. Em Hortolândia, muita gente aprovou a medida. Mesmo assim, registramos flagrantes de desperdício.

A bonificação foi adotada primeiramente na Grande São Paulo. Segundo o governo paulista, o índice de consumidores que reduziram o gasto com água durante a crise do Sistema Cantareira subiu para 81% em abril, de acordo com balanço divulgado na última quarta-feira pela Secretaria Estadual de Saneamento e Recursos Hídricos. No levantamento anterior, em março, o índice foi de 76%. Os dados são referentes apenas aos consumidores abastecidos pelo Cantareira.

De acordo com a pasta, 39% dos clientes da Sabesp reduziram o consumo em pelo menos 20% e conseguiram o desconto de 30% na conta. Os outros 19% aumentaram os gastos com água. A partir de junho, eles poderão ser penalizados com multa de 30%, de acordo com a proposta feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp).

Ontem, o plano de bônus foi expandido a mais 11 cidades abastecidas pela Sabesp, cinco delas da RMC. A notícia foi bem aceita, mas, em Hortolândia, a reportagem flagrou alguns consumidores desperdiçando água, como uma dona de casa, moradora da região central, que lavava a calçada. Mesmo assim, ela disse ser a favor do bônus, em caso de economia, e da multa, em caso de desperdício. “É justo. As pessoas devem gastar menos. Eu economizo, mas, de vez em quando, não tem como não limpar o quintal”, justificou.

Na casa de Marli de Sousa Lima moram cinco pessoas. Desde o início do ano ela adotou medidas para economizar água e quer conquistar o bônus. “Eu acho importante dar desconto porque é um incentivo maior. Eu reutilizo a água da máquina de lavar roupas, desligo o chuveiro para me ensaboar. Aqui é assim”, disse ela, que escolheu a vassoura para limpar a frente do imóvel.

Jonas descarta bônus

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), disse ontem, durante a inauguração de uma praça no Jardim do Trevo, que a cidade de Campinas não irá adotar a bonificação para quem economizar água. Segundo o prefeito, os custos com o tratamento de água na Sanasa são maiores. Sobre um possível racionamento na cidade, Jonas afirmou que não está descartado e que depende do índice da vazão do rio Atibaia, responsável por 95% do abastecimento de Campinas.

“O sistema é diferente. Noventa e cinco por cento da água tratada pela Sanasa é do Rio Atibaia. A Sabesp pega direto do reservatório. O custo do tratamento é maior. Mas se a pessoas economizarem água, a própria conta irá diminuir.” Sobre um possível racionamento, ele disse que a resposta virá do Rio Atibaia. O prefeito afirmou que a Sanasa tem trabalhado de forma a evitar o racionamento, mas que ele não está descartado. “Eu já disse que o racionamento é uma decisão técnica, não política. Temos o limite de 4m3/s de vazão do Rio Atibaia. Hoje está em 7m3/s. Estamos na dependência do volume do rio e pensando no futuro.” (Felipe Tonon/AAN)

Tucano entrega pacote de obras rodoviárias nesta 6

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) estará hoje em Campinas, às 8h30h, para entregar um pacote de obras rodoviárias. Entre elas estão as marginais da Rodovia D. Pedro I, a ampliação do trevo de Barão Geraldo, faixas adicionais na Anhanguera e o anúncio do início das obras de ampliação dos trevos do Jardim do Lago, do Walmart e do acesso ao Galleria Shopping. No trevo de Barão Geraldo, o governador afirmou que o investimento foi de R$ 153 milhões e, que apesar da entrega de uma das marginais, as obras continuam. No caso dos dois outros trevos, o investimento foi de R$ 46 milhões. Os recursos são do governo do Estado e das concessionárias. Além das obras que já tiveram início, Alckmin afirmou que estuda uma nova faixa da Bandeirantes entre Jundiaí e Campinas. Na quinta-feira, o tucano entregou a 5 faixa da rodovia, nos dois sentidos, entre São Paulo e Jundiaí. (MM/AAN)