Publicado 02 de Maio de 2014 - 5h30

A maturidade, à luz de uma análise pouco acadêmica, é um estágio da trajetória em que o ser humano atinge certo equilíbrio, autossuficiência, plenitude dos atos, talvez, capaz de assimilar, subjugar as vicissitudes e mistérios existenciais com certa compreensão e autoridade.

Começo dizendo ser a maturidade algo absolutamente relativo, como, aliás, a quase totalidade das ações humanas. Senão vejamos. Uma criança, por seu despreparo e precocidade não está apta para assumir determinadas tarefas, para sequer avaliar os perigos mais elementares e simplistas que a rodeiam.

À primeira queda derrama lágrimas pungentes que nos cortam o coração. E torna a cair, muitas vezes, até que, se não por instinto, pela própria sobrevivência decodifica o processo, assimila os fatos, aprende e, depois de vários fracassos, cresce, evolui e se credencia para encarar os desafios que são constantes, gradativos e permanentes. E cada vez mais complexos e instigantes. Pelo resto da vida!

Um adolescente, ao contrário da criança, já não tropeça como esta, tem uma visão diversa dos fatos, seus desafios apresentam um nível de complexidade maior, toma certas precauções, observa, seleciona, analisa, preserva-se, escolhe, mas não está habilitado para assumir responsabilidades jurídicas, o comando de uma empresa, coisas desse gênero, cuja “maturidade” ainda incipiente não o credencia para arcar com tal ônus. Não está, pois, preparado, maduro, enfim, para assuntos mais abstratos. E tropeçará ene vezes até, — quando isso acontece —, entender o processo, corrigir os rumos, mas sempre limitado pelos ímpetos e arroubos que cercam essa quadra de sua caminhada.

Se o jovem está mais habilitado que uma criança para fazer frente ao longo processo de vida, ambos tornam-se inaptos para situações e conflitos mais complexos. E, definitivamente não estão preparados para assuntos que exigem um nível de abstração mais profundo, preparo psicológico para contornar obstáculos que fatalmente surgirão nesse vale de lágrimas...

Em síntese o equilíbrio de alguns para superar contratempos não o é para outros, despreparados para escalar o degrau imediato de dificuldades. Sem falar que um jovem pode apresentar a maturidade que um adulto jamais ostentará... É o contexto da vida. Eis tudo!

Em todo ser humano há a preocupação intrínseca, constante para resolver enigmas, superar desafios, evoluir, amadurecer... Mas o inesperado e o imponderável nunca podem ser descartados. De repente, quando se imagina pronto para a vida e seus paradoxos, se julga “maduro”, surpreende-o um novo evento mais complexo e intrincado... E assim até o último capítulo que jamais será superado porque é intangível.

Questionamentos cada vez mais sutis, momentos de crise, oscilações, angústias, o desconhecido, as incógnitas, as eternas interrogações sobre o destino, aonde quer chegar, o universo a ser conquistado, instabilidade, elucubrações, escolhas éticas, inconstância, entrelinhas, prioridades, tudo pesa.

Mas e o adulto? Ah! (dizem) este saberá contrapor-se às arestas e incongruências, pois, já tropeçou, caiu, levantou, superou percalços, assimilou golpes, intempéries, contratempos, dramas emocionais... Está carimbado! Nada o detém e impede sua ascensão, já que a “experiência” o credencia para as lutas, empecilhos, armadilhas e paradoxos...

Meu questionamento: então alguém que atingiu um referencial de plenitude, terá o devido equilíbrio e estabilidade para os passos que virão? Estará “maduro” para lidar com as oscilações que a vida apresenta, quer materiais, ou principalmente os intangíveis, sobre as quais não temos qualquer poder e fogem por completo ao nosso raio de ação... Será?!... E as tragédias humanas, as perdas inevitáveis, a incerteza do amanhã, a velhice e... a morte?!...

Certamente tais assuntos causam arrepios, impotência, inseguranças, desconforto... E pensar que quando “tudo” chegar ao fim, estamos apenas recomeçando!... Ah ser humano! Ah maturidade!