Publicado 01 de Maio de 2014 - 5h30

A prova de literatura do Vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) terá uma lista independente de obras para leitura a partir do Vestibular 2016. Há oito anos, a lista de livros estava unificada com a Fuvest. Com o programa próprio, a universidade passa a exigir o conhecimento de 12 obras, em vez de nove pedidas atualmente. Seis obras da lista estão mantidas na válida a partir de 2016.

O objetivo da mudança foi ampliar os estilos literários contemplados e incluir obras contemporâneas no vestibular. A renovação das obras que compõem a lista será sempre parcial, e deve acontecer anualmente, em um ritmo que permita o planejamento do professor no estudo dos alunos. A substituição também acompanha a dinâmica própria do sistema de ensino, cujo público se renova todos os anos. Em cada vestibular, devem sair da lista três obras e entrar três novas. Para a prova de 2015, que ocorre ainda este ano, a lista unificada com a Fuvest está mantida.

A mudança foi discutida entre um grupo de professores do curso de literatura da Unicamp, que concluiu que a prova estava muito voltada para os períodos literários do Romantismo e Realismo, e focava somente em romances portugueses e brasileiros — excluindo importantes obras de outros países de língua portuguesa. “Uma das belas obras contemporâneas que estava de fora era Terra Sonâmbula, do moçambicano Mia Couto. É a primeira vez que a Unicamp incluiu um autor africano em sua obra, e isso é muito emblemático”, explicou o coordenador pedagógico da Comissão de Vestibulares (Comvest), Petrilson Pinheiro.

Ainda segundo o coordenador, gêneros literários desprezados, como o teatro, o conto e o poema, agora são protagonistas da prova junto com os romances. “O conto, por exemplo, é um gênero que o adolescente tem muito contato na internet, pelo tamanho e facilidade, mas que não era valorizado nas provas”, disse o professor.

Universidade cai em ranking das mais jovens

A Unicamp perdeu nove posições em um ano no ranking Times Higher Education, um dos mais importantes do mundo, que considera apenas universidades com menos de 50 anos. A escola ocupa agora a 37 colocação. A universidade, porém, se manteve como a única latino-americana na lista das cem melhores. O ranking divulgado ontem é um desdobramento da pesquisa principal, que considera as melhores instituições do mundo, divulgada em outubro passado. Nessa lista geral, a Unicamp havia caído do grupo de 251º-275º para 301º-350º. A publicação afirma que faz análise separada das instituições com menos de 50 anos por elas terem potencial para serem “as próximas Harvard ou Oxford”, as principais do mundo. A líder entre as instituições jovens foi a Universidade de Ciência e Tecnologia Pohang (Coreia do Sul). São analisados no ranking cinco áreas: inovação, ensino, influência da pesquisa, volume de pesquisas e impressão no meio acadêmico. Uma das ferramentas usadas para essa medição é a entrevista com 10.500 pesquisadores do mundo todo. Com os dados disponíveis, não é possível saber em quais áreas a Unicamp teve perdas. Para o editor do ranking, Phil Baty, o resultado do Brasil “deve servir como alerta”. Ele ressalta que, além de a Unicamp ter caído, a Unesp já havia saído da lista das cem melhores em 2013.

“No ranking há várias instituições de países em desenvolvimento, que canalizaram recursos para criarem universidades de nível internacional e, assim, aumentarem a competitividade de suas economias”, afirmou Baty. “O Brasil tem muito o que fazer.” No levantamento, Turquia e Irã aparecem com duas instituições jovens entre as 100 melhores. Reino Unido e Austrália lideram, com 14 cada. Parte do meio acadêmico no Brasil relativiza a importâncias dos rankings internacionais. O reitor da USP, Marco Antonio Zago, já afirmou que não se preocupa com as variações anuais, porque há margem de erro nos dados. No último ranking do Times Higher, a USP se manteve como a melhor da América Latina, mas saiu do grupo das 200 melhores do mundo. (AE)