Publicado 01 de Maio de 2014 - 5h30

A partir de hoje, 12,5% da população das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) passarão a receber um bônus se economizarem água. Quem reduzir o consumo em 20% ganhará 30% de desconto no valor total da conta. A medida valerá para Hortolândia, Itatiba, Monte Mor, Paulínia e Morungaba, na Região Metropolitana de Campinas (RMC), e também para Bragança Paulista, Piracaia, Nazaré Paulista, Joanópolis, Vargem e Pinhalzinho.

No total, a medida atingirá cerca de 700 mil pessoas que são atendidas pela Sociedade de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A empresa está estendendo o desconto para toda a sua base de concessão — até agora 17 milhões de pessoas da Grande São Paulo tinham direito ao bônus. A decisão ocorre no momento em que o Sistema Cantareira enfrenta seu nível mais crítico e cidades das Bacias PCJ e do Alto Tietê começam a se preparar para adotar medidas de restrições de uso de água. Até agora a Sabesp trabalhava com os descontos apenas para 31 municípios da Grande São Paulo, sem incluir a região de Campinas, porque, segundo a empresa, as cinco cidades não fazem parte do sistema integrado de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo.

Prefeitos

Os prefeitos da região cobraram o benefício. O prefeito de Monte Mor, Thiago Giatti Assis (PMDB), reivindicou a inclusão da cidade no bônus por entender que é preciso que a população economize água e que o desconto em conta é um estímulo importante. O prefeito de Hortolândia, Antônio Meira (PT), havia pedido que a cidade fosse incluída na concessão do bônus já em fevereiro, quando o programa foi lançado. Da mesma forma, o prefeito José Roberto Zem (PV), de Morungaba, pediu o bônus, como o prefeito de Itatiba, João Gualberto Fattori (PSDB), que mesmo a Sabesp garantindo ao município que não haverá racionamento de água, solicitou da companhia informações sobre a possibilidade de os consumidores serem beneficiados com o bônus oferecido àqueles que economizarem água.

O agravamento da crise hídrica levou a empresa a ampliar o bônus. No primeiro mês de avaliação do programa, a Sabesp conseguiu que 76% dos consumidores elegíveis aderissem ao programa de economia de água. Desses, 37% tiveram bônus e outros 39% economizaram, mas não atingiram a meta que daria direito ao desconto. Uma fatia de 24% dos consumidores não economizou água.

Segundo a Secretaria de Saneamento do Estado, cerca de 75% dos consumidores na Grande São Paulo conseguiram reduzir o consumo de água desde o início da campanha, em fevereiro, mas 25% aumentaram o consumo.

Empresa fará estudo ambiental de reservatórios

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) autoriza, amanhã, a contratação da empresa Hidrostudio Themag para a realização do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) da implantação de reservatórios em Amparo e Pedreira, na região de Campinas, e que terão capacidade para armazenar 75 bilhões de litros de água, equivalente a 7,7% da capacidade do Sistema Cantareira. Esse mini Cantareira, no entanto, só estará disponível para a região em 2018, mas quando estiver construído criará uma reserva hídrica estratégica na bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que hoje vivem sua pior crise e com risco de, em curto prazo, implantar rodízio no fornecimento de água à população.

O Estado liberou R$ 53 milhões para as desapropriações das áreas das futuras represas. O custo estimado dos empreendimentos é de R$ 500 milhões. Além de ser uma reserva de água, as barragens também serão pequenas centrais hidrelétricas. A empresa vencedora da licitação terá prazo de 18 meses para concluir os estudos, ao custo de R$ 14,8 milhões.

Os custos dos projetos serão financiados pela Refinaria de Paulínia (Replan) e foi uma das exigências dos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) que, em 2010, deu aval às obras de modernização das unidades industriais da refinaria, autorizando a retirada de mais 503m3/h de água do Rio Jaguari. A autorização de aumento de captação ficou vinculada a contrapartidas que a refinaria foi obrigada a fazer, e que somam cerca de R$ 6 milhões, nas bacias PCJ. A refinaria tem outorga do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) para captação horária de 1,87 mil m3 e pediu ampliação para 2,4 mil m3.

O diretor de projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad, acha difícil o governo conseguir colocar em operação os reservatórios em 2018, prazo que está previsto no Plano Diretor de Aproveitamento dos Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista.

“Após a conclusão dos projetos executivos e dos estudos ambientais, novas etapas terão que ser cumpridas, como as audiências públicas para aprovação dos EIA/Rima, as negociações com os proprietários das terras que serão inundadas e, por fim, a construção das barragens e o consequente enchimento. Acreditamos que todo este processo gaste entre seis a oito anos, isso sem levarmos em conta a construção do Sistema Adutor, que a nosso ver, é de vital importância para as Bacias PCJ”, disse.

O reservatório de Pedreira ocupará uma área de 2,1 quilômetros quadrados no Rio Jaguari e vai permitir uma vazão regularizada de 9,6 mil litros de água por segundo. O reservatório Duas Pontes, no Rio Camanducaia, deverá ocupar uma área de 4,6 quilômetros quadrados e vai permitir uma vazão regularizada de 9,8 mil litros de água por segundo, de acordo com o Daee. (MTC/AAN)

Chuva fica pouco abaixo da média em abril

O Sistema Cantareira fechou o mês de abril com um volume de chuva de 85,7mm, pouco abaixo da média histórica do mês, de 89,3mm. Isso não teria sido um problema se o início do período de estiagem tivesse encontrado os reservatórios cheios. Mas com o Verão mais seco dos últimos 80 anos, a falta de chuva foi fatal para as barragens que, em um mês, viram o volume útil do sistema cair de 13,03% da capacidade em 1 de abril para 10,36% ontem, uma redução de 20,5%.

O Rio Atibaia teve mais um dia de queda abrupta na vazão, por causa da operação da Usina Salto Grande, que utiliza a água para gerar energia na pequena central hidrelétrica (PCH). Com a operação, a vazão na área de captação da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), caiu de cerca de 9m3/s para 7,2m3/s. Por um acordo com a Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH), a CPFL Renováveis coloca a usina em operação toda vez que o rio estiver com uma vazão acima de 7m3/s no ponto de monitoramento de Valinhos. A vazão que está passando na captação ainda é suficiente para abastecer 95% de Campinas. A Sanasa vai estabelecer restrições no fornecimento quando a vazão chegar a 4m3/s — nessa condição, a empresa irá tirar 3,2m3/s e deixar seguir em frente para garantir a vazão ecológica do rio, os demais 0,8m3/s.

O Atibaia vem recebendo 2m3/s do sistema e sua vazão está basicamente sendo garantida pela água que chega dos afluentes e do esgoto das cidades que estão antes de Campinas, no curso do rio. (MTC/AAN)