Publicado 01 de Maio de 2014 - 5h30

O prefeito Jonas Donizette (PSB) aumentou em 41,5% o valor mensal do subsídio às empresas e cooperados do sistema de transporte coletivo de Campinas para manter o preço da tarifa em R$ 3,00. Na decisão publicada ontem no Diário Oficial do Município (DOM), o prefeito determinou o pagamento de R$ 25.322.440,40 para subsidiar o transporte em abril, maio e junho. Assim, até junho, a Prefeitura vai aportar R$ 8,44 milhões mensais ante R$ 5,95 milhões que vinha pagando até março (foram pagos R$ 17.895.383,19 no primeiro trimestre), valor que representa quase o triplo do subsídio mensal que era concedido até julho do ano passado, quando foi deflagrada a onda de protestos contra o preço da passagem de ônibus em todo o País.

Jonas disse ontem que em junho voltará a rediscutir o subsídio com o setor, porque os valores estão pesando muito no Orçamento municipal. O prefeito discorda que o aumento no subsídio seja de 41,5%. Segundo ele, é preciso comparar semestres para fazer a conta e, nesse cálculo, o aumento no subsídio está em torno de 20%. Segundo ele, nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano foram mantidos os valores pagos no ano passado, e assim, o gasto com subsídio no primeiro semestre de 2014 será de R$ 43,21 milhões, valor 20,7% maior que os R$ 35,79 milhões gastos no último semestre de 2013.

O crescimento no gasto com o financiamento do transporte coletivo, disse, não é receio de que as manifestações violentas voltem a ocorrer. No ano passado, quando a onda de protestos contra o preço da tarifa de ônibus em todo o País ocorreram, Jonas reduziu a passagem de R$ 3,30 para R$ 3,00

Segundo o prefeito, a elevação do subsídio está sendo acompanhada de cobrança na melhoria dos serviços prestados pelas empresas. “Dobramos o atendimento do serviço do PAI (feito com veículos acessíveis), que era atendido por 25 vans e dois ônibus para 50 vans, mais cem ônibus novos entraram em operação e estou cobrando o inicio da operação do serviço de GPS nos ônibus para o segundo semestre.”

Nos cálculos da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), para manter a tarifa congelada e garantir o equilíbrio financeiro das concessionárias, o subsídio precisaria ser da ordem de R$ 107 milhões no ano. “É muito e nosso orçamento não aguenta. Fixei em R$ 86 milhões para 2014. Já pagamos R$ 17,8 milhões no primeiro trimestre, vamos pagar R$ 25,3 milhões no segundo e quero rediscutir os valores com as empresas, disse Jonas.

A Emdec divulgou uma nota curta, informando que monitora os serviços e que os custos do sistema são crescentes. “A posição da Administração municipal é de manutenção do atual valor da tarifa de ônibus, em R$ 3,00. Por isso, a alteração no valor do subsídio mensal.”

O congelamento das tarifas de transporte adotado pela maioria dos municípios no ano passado e mantido até agora para evitar as manifestações nas ruas, já começa a dar indícios de que em curto tempo os governos terão que rever a situação.

O prejuízo do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), por exemplo, aumentou no ano passado, como mostram estudos das duas empresas. O governo reconhece que uma das causas disso é a revogação do reajuste da tarifa, que de R$ 3,20 voltou para R$ 3,00 em resposta às manifestações de rua de junho passado. A subvenção para a CPTM, por exemplo, aumentou 43,7%, indo de R$ 537,5 milhões em 2012 para R$ 772,2 milhões no ano passado. Quanto ao Metrô, ele não recebe subvenção direta, mas compensações como a referente à gratuidade para idosos.

Associação, que alega déficit, não comenta os novos valores

A Associação das Empresas de Transporte Urbano de Campinas (Transurc) não quis comentar os valores do subsídio. No final do ano, no entanto, as empresas afirmavam que trabalhavam com o déficit mensal de R$ 4,4 milhões por conta do congelamento da tarifa. Na época, a Transurc reivindicava que, para o equilíbrio financeiro das concessionárias, o subsídio precisaria ser aumentado de R$ 71 milhões anuais para R$ 105,3 milhões, ou então elevar a tarifa para R$ 4,02. O sistema de transporte de Campinas é operado por 1.252 ônibus, miniônibus e vans das empresas, consórcios, permissionários e cooperativas. Em dezembro, as empresas informaram que o custo delas, de dezembro de 2012 a novembro de 2013, já incluindo o aumento de 8% no diesel, estava em R$ 34,4 milhões mensais, para uma média de arrecadação com os passageiros pagantes de R$ 8,5 milhões, o que leva à necessidade de uma tarifa de R$ 4,02. (MTC/AAN)