Publicado 02 de Maio de 2014 - 5h30

Fernando Alonso, Kimi Raikkonen e Gerhard Berger, entre outros pilotos e ex-pilotos, se juntaram a milhares de fãs no início da tarde de ontem na curva Tamburello, no autódromo de Imola, para prestar homenagem a Ayrton Senna, morto há exatos 20 anos após um acidente no local. De acordo com a organização do "Tributo a Ayrton Senna", entre 15 mil e 20 mil pessoas estiveram no circuito italiano para o primeiro dos quatro dias de eventos programados para homenagear o piloto brasileiro.

Por volta das 13h30 (horário local), os portões que dão acesso à pista foram abertos e os milhares de torcedores começaram a caminhar em direção à Tamburello atrás de uma banda, que tocava o hino brasileiro, o italiano, entre outras marchas. A poucos metros de onde a Williams de Senna sofreu o impacto no muro, hoje enfeitado com bandeiras do Brasil e flores, um palco foi montado para as homenagens. Perto das 14h, Berger, companheiro do brasileiro na McLaren, abriu os discursos.

"Sei que é um dia triste, mas fico feliz de tanta gente estar aqui para homenagear meu grande amigo e por termos conseguido transformar este evento em uma comemoração para lembrá-lo", afirmou o austríaco. Depois dele, Alonso subiu ao palco e foi ovacionado pelos fãs. "Sempre fui fã de Ayrton, tinha um poster dele no meu quarto e fico feliz em estar aqui para prestar minha homenagem a ele", disse o ferrarista, em italiano.

Raikkonen tomou a palavra na sequência e também elogiou Senna. "Dizer que ele era um dos grandes não é novidade, mas temos que agradecer por tudo o que ele fez pelo esporte", afirmou o finlandês.

Os fãs foram à loucura quando os ferraristas chegaram. Aplaudindo e gritando, furaram o cerco improvisado pelos funcionários do evento para tentar chegar mais perto da dupla. Fotógrafos, cinegrafistas e repórteres que acompanhavam a cerimônia de perto acabaram sendo arrastados pela multidão. Seguranças da Ferrari foram chamados e tiveram que solicitar reforço para tentar conter os ânimos dos torcedores.

Quando o relógio apontou 14h17, um minuto de silêncio foi observado, seguido por uma longa salva de palmas e depois gritos de "ole, ole, ole, Senna, Senna". Pierlugi Martini, Andrea de Cesaris, Riccardo Patrese, Luca Badoer e Jarno Trulli, entre outros também fizeram suas homenagens a Senna. Todos eles autografaram um cartaz que foi colocado atrás do palco e que mais tarde foi liberado para que os torcedores também pudessem assinar o cartaz.

Organizador do evento, Ezio Zermiani estava radiante com o sucesso da homenagem. "Nós pensamos que podia ser algo que foi esquecido. Mas, então, esta manhã quando saí do meu hotel, eu vi mais trânsito do que quando havia a corrida aqui, mesmo que não tenham carros de corrida. Por isso, tornou-se um GP de lembrança". Zermiani apontou que as melhorias de segurança apresentadas pela Fórmula 1 após as mortes de Senna e Ratzeberger ajudaram a impedir mais acidentes fatais nos últimos 20 anos. "Então Ayrton não morreu por nada", concluiu. (Das agências Folhapress e Estado)

Admiradores visitam a sepultura

Flores, lágrimas e emoção. No dia em que a morte de Ayrton Senna completa 20 anos, as homenagens ao piloto brasileiro percorrem todo o mundo. No Brasil, o cemitério do Morumby recebeu muitas visitas desde o início da semana. São pessoas que têm Senna ainda no coração. Sem nenhum evento oficial programado para o dia, o destino dos fãs é a sepultura do piloto brasileiro. Entre os visitantes, diversos estrangeiros — japoneses, alemães e argentinos dividiam espaço com empolgados brasileiros.

Declaradamente corintiano, Senna também foi homenageado pela torcida e pelo clube durante a partida pela Copa do Brasil contra o Nacional-AM, quarta-feira.

Ao redor do túmulo de Senna, enfeitado com bandeira do Brasil, capacete, imagens e mensagens, os admiradores que visitam o local anualmente trocavam abraços e saudações. Reunidos em volta do túmulo do piloto, os admiradores aproveitaram o encontro para recordar velhas passagens e fazer debates acalorados. “Lembra aquela prova em Hockenheim-1986?”, perguntou um fã, devidamente trajado com a camisa da Lotus, iniciando uma nova discussão.

Exposição

A exposição "Senna Emotion", que retrata toda a vida do piloto, percorreu alguns shoppings do Rio e agora se encontra em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A companhia aérea Azul pintou a cabine de um de seus aviões da mesma forma que o capacete do piloto. A aeronave tem também o selo "Senna Sempre" nas turbinas, com o rosto do tricampeão estampado. A pintura marca o início de uma parceria com o Instituto Ayrton Senna e a Azul. A empresa doou à entidade um milhão de pontos de um programa de milhagem, que será convertido em passagens pelo instituto. (Das Agências)