Publicado 01 de Maio de 2014 - 5h30

Pelo segundo ano consecutivo, a final da Liga dos Campeões da Europa contará com dois times do mesmo país na decisão. Depois de o Bayern de Munique ter enfrentado o Borussia Dortmund para ficar com o título em 2013, agora será a vez de o Atlético de Madrid encarar o rival Real Madrid na luta pela taça. Ontem, a equipe espanhola comandada por Diego Simeone superou o Chelsea por 3 a 1, de virada, no Stamford Bridge, em Londres, e carimbou seu passaporte para a final que será realizada em Lisboa, no estádio da Luz, no dia 24 de maio.

Assim, o Atlético jogará pela segunda vez na sua história a decisão do principal torneio interclubes da Europa, depois de ter sido vice-campeão em 1974, quando caiu diante do Bayern de Munique. O retorno à final tão desejada serviu para coroar o ótimo momento vivido pelo clube, que chega invicto ao jogo que valerá o título e com o status de líder do Campeonato Espanhol, com quatro pontos de vantagem sobre o vice-líder Barcelona.

Já o Chelsea, campeão em 2012 e vice em 2008, desperdiçou a oportunidade de avançar pela terceira vez à final da Liga. Curiosamente, a derrota marcou a quarta eliminação seguida de José Mourinho na semifinal. Antes, o técnico português amargou três quedas seguidas nesta fase, todas sob o comando do Real Madrid — primeiro contra o Barcelona e depois contra Bayern e Borussia Dortmund.

Disposto a fazer história, o Atlético de Madrid não se intimidou. Já aos 4', Koke quase marcou ao aproveitar um rebote de um escanteio batido por ele próprio e bater por cobertura para a bola acertar o travessão e depois o pé da trave. O Chelsea, que entrou em campo com David Luiz, Ramires e Willian como titulares, mas sem Oscar, barrado por Mourinho, só foi conseguir dar o primeiro chute de perigo aos 14'. Willian, em cobrança de falta da meia-lua, assustou o goleiro Courtois. David Luiz, por sua vez, foi outro que apareceu com destaque aos 22'.

O Chelsea abriu o placar aos 35'. Em ótima jogada pela direita, Willian se livrou de dois marcadores com bela finta e tocou para Azpilicueta, que cruzou para Fernando Torres entrar batendo de primeira. A bola ainda desviou em um defensor. O Atlético de Madrid conseguiu achar o empate já aos 43'. Tiago fez cruzamento da esquerda, Juanfran acreditou em uma bola quase perdida na segunda trave e tocou para trás para Adrian López bater de primeira.

A missão do Chelsea de avançar começou a ficar mais difícil aos 13' da etapa final, quando Eto'o, estabanado na grande área, fez pênalti em Diego Costa. E o próprio atacante foi para bola e marcou. Precisando agora de dois gols para ir à final, a equipe inglesa tratou de ir para cima do rival de forma alucinada e quase empatou aos 18', na cabeçada de David Luiz.

Aos 26', o Atlético acabou de vez com as chances do time de Mourinho. Juanfran cruzou para Arda Turan, que cabeceou para a bola pegar na trave e voltar nos pés do próprio camisa 10, que bateu rasteiro. A partir daquele gol, o Atlético precisou apenas administrar a vantagem diante de um Chelsea já sem condições de furar a ótima defesa da equipe espanhola. (Da Agência Estado)

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Que a final da Liga dos Campeões será disputada por duas equipes da mesma cidade

CHELSEA

Schwarzer; Ivanovic, Cahill, Terry e Cole (Eto'o); Azpilicueta, Ramires, Willian (Schürrle), David Luiz e Hazard; Torres (Demba Ba). Técnico: José Mourinho.

Mourinho bate recorde de eliminação na semifinal

O técnico do Chelsea José Mourinho, que perdeu a chance de fazer a final da Liga dos Campeões da Europa contra seu ex-time, o Real Madrid, acabou eliminado nas semifinais da Champions pela quarta vez consecutiva, um recorde — entre 2011 e 2013, Mourinho viu seu Real Madrid cair para Barcelona, Bayern de Munique e Borussia.

"O Atlético foi o vencedor com justiça. Até o pênalti foi claro, conforme me disseram. Controlamos a partida, foi tudo equilibrado, mas o goleiro deles foi decisivo, fez uma defesa impossível em cabeçada de Terry, e depois houve o pênalti convertido por Diego Costa", analisou Mourinho.

Courtois foi centro de uma polêmica por ser goleiro do Chelsea e estar emprestado ao Atlético. No contrato, há uma cláusula que o impede de jogar contra a equipe inglesa, mas a restrição não é permitida pela Uefa. "O goleiro é do Atlético. Também fez uma defesa impossível em chute de Hazard, com o confronto já definido. Mas a de Terry foi decisiva", disse Mourinho, que deixou o lado carrancudo de lado para elogiar os finalistas.

Após o apito final, os jogadores do Atlético de Madrid correram em direção aos torcedores colchoneros, que foram em bom número à Inglaterra e que verão o time na final da Liga dos Campeões após 40 anos. Em 1974, amargou o vice-campeonato ao ser derrotado pelo Bayern.

"Investimos muito para estar nesta posição. Estou muito feliz, mas não temos muito tempo para aproveitar esse momento. Contra o Real, não tem favorito. A verdade é que nossos jogadores se conhecem muito bem. Não vemos a hora de jogar a final", elogiou o técnico o Diego Simeone.

“O resultado deve-se a um grande esforço coletivo. Fomos nós que proporcionamos a possibilidade de estarmos nesta tão desejada final. Foi um jogo muito tático. Foram eles os primeiros a marcar, mas nós tivemos a felicidade de não demorar muito tempo para restabelecer a igualdade”, finalizou Simeone. (France Press)