Publicado 03 de Maio de 2014 - 12h18

Quem tem telefone fixo pode receber informações sobre a dengue

Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Quem tem telefone fixo pode receber informações sobre a dengue

 Desde a última quarta-feira (30), moradores de Campinas passaram a receber ligações com mensagem alertando sobre os riscos da dengue. A cidade vive a maior epidemia da doença de sua história, com 17,1 mil casos confirmados.

A ação é promovida pelo Ministério da Saúde, que intensificou a comunicação na cidade, com propagandas na TV, outdoors e mensagens em cupons de recarga de celular.

De acordo com o secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, que solicitou apoio ao governo federal no mês passado para enfrentar o surto, a conscientização é uma das principais armas para acabar com os focos do mosquito transmissor da dengue.

A mensagem convoca as pessoas a adotarem medidas simples, dentro de casa, para evitar potenciais criadouros.

Também comunica a possibilidade de equipes de técnicos visitarem o imóvel e orienta o morador a procurar o serviço de saúde ao aparecimento dos primeiros sintomas, como febre, dor de cabeça, manchas vermelhas no corpo.

Quem já recebeu a mensagem, que é disparada apenas para telefones fixos, aprovou a iniciativa.

A jovem Mônica Faria, moradora do distrito de Barão Geraldo, segunda região em número de casos de dengue, atendeu ao telefone na última quinta-feira e se surpreendeu com o alerta.

“É bem didático e é um serviço que ajuda, porque muita gente acha que o problema está sempre no vizinho. Apesar de a imprensa veicular que aqui em Barão é o segundo maior foco, quando chega essa informação por meio de uma ligação, você fica mais preocupada”, disse.

Roberto Gandara, de 59 anos, também mora em Barão Geraldo e teve dengue em 2007, quando Campinas também viveu uma epidemia da doença, ouviu a mensagem na quarta-feira passada. “É um tom bem informativo, falando que a região tem focos da dengue e que algumas equipes estão passando no local.”

Apesar de concordar com o serviço de comunicação, Gandara questionou. “Além de terem ligado duas vezes em casa, não veio nenhuma equipe de campo. Eu fico preocupado porque aqui em Barão é um dos focos fortes da dengue. Acho que está faltando mais ação na rua.”

O secretário de Saúde de Campinas disse que as ligações serão realizadas em toda a cidade.

“Estamos usando todos os mecanismos de comunicação. O telemarketing começou esta semana (semana passada) e é mais uma ferramenta para disseminar a mensagem de cuidado. A comunicação é a coisa mais importante e todos precisam entender. Nós vamos ultrapassar o mais rápido possível essa situação se todo mundo fizer a sua parte. A gente está tentando fazer a nossa.”

Em nota, o Ministério da Saúde informou que as ações de comunicação em Campinas foram reforçadas e serão estendidas até 30 de maio. Além do telemarketing, estão sendo veiculadas peças na TV, rádio, internet, e divulgação em cupons de recarga de celular e outdoors.

Ações

Barão Geraldo está localizado na região Norte da cidade, que acumula 26% dos casos de dengue na cidade — foram 4.505 pessoas infectadas de um total de 17, 1 mil —, e tem sido alvo frequente de ações da Prefeitura. 

 

 A cabeleireira Eliane Ravares Paiva (foto), de 28 anos, moradora do Bosque de Barão, ficou doente no mês passado. O filho, de 6 anos, também pegou dengue. Ela afirmou que após o trabalho de nebulização feito pela Prefeitura, a situação melhorou. “Não vemos nem mosquitos mais. Mas talvez, se tivesse feito antes, não teriam tantos casos.”

A dona de casa Maria Angela Maia, de 52 anos, vizinha de Eliane, também entrou para as estatísticas.

 

“É uma das piores coisas que já me aconteceu. Eu rezo para a minha mãe não pegar, porque ela já teve há uns dez anos. Passo repelente nela todos os dias”, disse.

A mãe de Maria, de 77 anos, foi infectada quando morava no Rio de Janeiro, em 2004, no período em que a capital fluminense vivia um surto da doença.

Moradora do Jardim São Gonçalo, também em Barão, Isabela Calamo, de 47 anos, ficou doente há cerca de 20 dias. Ela e o filho de 7 anos foram infectados na mesma época.

Na última sexta-feira, ela procurou atendimento no Centro de Saúde do distrito porque a filha, de 18 anos, estava com os sintomas da doença.

Na unidade de saúde de Barão, uma lousa marcava o número de casos de dengue: 512 suspeitos e 146 positivos.

Vizinhos

Os imóveis fechados do Taquaral, em Campinas, ainda são motivo de preocupação para moradores do bairro.

Na Rua Eoys Black Vieira Alves, onde há vários casos de pessoas com dengue, um sobrado para locação há mais de um ano tem a piscina cheia de água, que acumula sujeira, lodo e larvas de mosquitos. Em uma ação desesperada, vizinhos jogaram cloro por cima do muro. A médica Brigitte Bortoto afirmou que ela, seu marido e o filho pegaram dengue no mês passado.

“Fiz a denúncia da piscina no 156, mas duas semanas depois eles ainda não limparam”, disse.

 

 Outra moradora da rua, a cozinheira Marcelia Cardoso do Santos (foto), de 37 anos, disse que também fez diversas denúncias à Prefeitura.

“Acho que uma casa não poderia ser colocada para alugar com água na piscina. Ou o proprietário ou a imobiliária deveriam fazer alguma coisa. Isso sem falar no mau cheiro que fica na casa. A gente consegue ver os mosquitos rodeando a piscina”, disse.

Na Rua Mário Junqueira da Silva, no Jardim Eulina, o entulho toma conta de uma das calçadas, às margens da Rodovia Anhanguera (SP-330). Moradores deixam tocos de madeira, ferros retorcidos e restos de material de construção sem proteção.

A situação é agravada por pedestres que utilizam a passarela da rodovia e jogam lixo do alto.

“Tudo vem parar na nossa rua. Eu tenho um jardim aqui na frente que eu cuido muito bem. Metade da rua está com dengue”, disse o aposentado Rivaldo da Silva, de 66 anos.

A Prefeitura informou que a Vigilância em Saúde irá levantar na próxima semana os locais que foram vistoriados e que, caso não tenham sido, vão incluí-los no cronograma do órgão.

 

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