Publicado 04 de Maio de 2014 - 5h00

Por Sarah Brito

Pacientes com dengue passam na frente de outros

Janaína Ribeiro/Especial a AAN

Pacientes com dengue passam na frente de outros

As unidades de saúde de Campinas estão priorizando o atendimento dos pacientes com suspeita de dengue em detrimento de outros casos. Usuários do Pronto Atendimento (PA) do Campo Grande que chegaram ao local com fraturas, hérnias e outros tipos de doenças esperaram até seis horas pela consulta. A demora causou revolta e algumas pessoas chegaram a ameaçar agredir funcionários e médicos do PA.

A Secretaria de Saúde montou uma equipe especial para cuidados e coleta de sangue dos pacientes com sintomas da dengue. No Campo Grande foram destacados dois médicos, um técnico e um auxiliar de enfermagem somente para a epidemia. Para fazer os outros atendimentos havia apenas um médico.

Cadeirante, hipertensa e diabética, a aposentada Marinalva Araújo Silva, de 56 anos, chegou à unidade às 8h, depois de sofrer uma queda e fraturar dois dedos do pé. Ela chegou a passar mal com as dores e por diversas vezes pensou que fosse desmaiar. Mesmo assim, Marinalva recebeu o primeiro atendimento somente ao meio-dia. “Foi um desrespeito. E não vou conseguir engessar meu pé aqui, terei que ir até o Hospital Celso Pierro, mas não tem nenhuma ambulância para me levar”, disse. A filha da aposentada, Fabiana Araújo Silva, de 29 anos, disse que precisou “fazer um escândalo” para sua mãe ser atendida. “Eu não tenho vergonha de dizer que ameacei todo mundo. Minha mãe já teve dois derrames, não anda. Deveria ser considerado um caso grave”, disse.

O estudante Wellington Vinícuis Gomes, de 16 anos, chegou ao PA com febre e dor forte de cabeça, mas os sintomas não foram considerados de dengue pela triagem. Por causa disso, às 12h de ontem o adolescente esperava seis horas por atendimento. “Cheguei às 6h, passando muito mal. Estou até agora sem tomar café da manhã ou almoçar.” A mãe do adolescente, Ivone Gomes, afirmou que a demora é um desrespeito. “Disseram que o caso dele não é grave. Mas como eles podem ter certeza?”, questionou.

A Secretaria de Saúde de Campinas confirmou que os casos de dengue são prioridade por causa da epidemia. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, a doença requer diagnóstico rápido porque pode evoluir rapidamente para o quadro hemorrágico e levar à morte.

Vacinação

A vacinação contra a gripe também movimentou os centros de saúde (CS) de Campinas no sábado. No CS São José e Jardim Florence, a maioria na fila de vacinação eram crianças com menos de 4 anos. A reportagem viu apenas um idoso na fila para a imunização. “Sempre deixo a carteirinha de vacinação da minha filha em dia. É importante vacinar contra gripe, principalmente nesse tempo seco”, disse a mensageira Aline Duran, de 27 anos, mãe da Mariana, de 2 anos.

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Sarah Brito