Publicado 02 de Maio de 2014 - 9h24

Por Milene Moreto


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), estendeu o prazo de duração do abastecimento de água via volume morto do Sistema Cantareira para janeiro de 2015.

O tucano afirmou que, numa análise “pessimista”, a chamada “reserva técnica” será suficiente para abastecer os municípios que dependem do sistema por pelo menos oito meses, 60 dias a mais do que o previsto inicialmente.

 

O estudo feito pela Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento, segundo Alckmin, considerou a vazão mínima histórica.

 

Diante da crise hídrica, em entrevista exclusiva ao Correio ontem, o tucano disse que conta com as chuvas a partir de setembro, mas que a reserva é suficiente para garantir o recurso até que o Cantareira passe a receber o reforço de outras bacias, o que deve ocorrer em setembro.

O sistema, que abastece parte da Capital e da grande São Paulo, além da região de Campinas, vive a maior crise de sua história — ontem, os reservatórios operavam com apenas 10,5% da capacidade total.

A situação forçou o governo do Estado a adiantar alguns projetos e fazer as obras emergenciais para a captação do volume morto. Segundo Alckmin, em 15 dias, todas as obras de bombeamento desta reserva de água estarão prontas.

Ele também afirmou que a condição climática que provocou a estiagem atípica desapareceu e que as chuvas do segundo semestre deverão aliviar o sistema.

“Eu aprendi uma coisa. Meu pai era veterinário. Nós morávamos em zona rural. Aprendi que chove em mês com “R”. A partir de setembro começam as chuvas. A partir de novembro as chuvas ficam intensas. Nós estamos fazendo um monitoramento diário. Se nós conversássemos há um mês (sobre o volume morto), seria novembro. Agora já é janeiro. O mês de abril foi melhor”, disse o governador.

 

 

 

 

Usina da CPFL Salto Grande no rio Atibaia

Créditos: Edu Fortes/ AAN

 

 

 

Para o governador, a seca atípica do início deste ano não deverá ocorrer novamente e, por enquanto, segundo o tucano, não existe possibilidade de desabastecimento ou racionamento.

“Hoje não há nenhum indicador da necessidade de rodízio de água. Pelo contrário, até aumentou o período de utilização da água da reserva técnica. Em setembro, entram 0,5m3/s por segundo do Rio Grande, em São Paulo. Em outubro, entra mais 1m3/s do Sistema Guarapiranga. Estamos ampliando todas as estações de tratamento de água para poder substituir uma parte do Cantareira. Em fevereiro do ano que vem entra mais 1,5m3/s, também do Rio Grande”, afirmou.

Apesar de ter desenhado um cenário mais otimista, Alckmin disse, porém, que a durabilidade do volume morto depende de monitoramento e das condições climáticas. O cenário, segundo ele, poderá sofrer modificações.

Bônus

Outra aposta do governo do Estado é na política do bônus para quem optar pela economia de água. Os municípios que serão beneficiados são os abastecidos pela Sabesp. Sobre uma ação conjunta entre o governo do Estado e outras cidades que têm abastecimento próprio para tentar uma maior economia de água, Alckmin afirmou que não vai provocar constrangimentos.

 

 

 

 

 

Leito do Rio Atibaia no bairro Carlos Gomes em Campinas

Créditos: Elcio Alves/AAN

 

 

 

 

 

“Nós estamos fazendo nos 11 municípios do PCJ (bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) operados pela Sabesp. Cabe no caso de cidades com abastecimento próprio uma avaliação. Nós não vamos criar constrangimentos. Cada município tem um custo, mas seria bom. Aqui em São Paulo a experiência foi positiva. Tivemos agora os dados de abril e 81% dos consumidores economizaram. Desses, 39% ganharam o bônus”, disse Alckmin.

Obras

O governador também anuncia hoje a contratação da empresa que será a responsável pelo estudo técnico, projeto executivo, o EIA-Rima e a aprovação ambiental para obras de dois novos reservatórios, em Pedreira e Amparo.

Uma única empresa será a responsável por todas as ações o que, segundo o governador, dará agilidade às construções.

 

A previsão do governo do Estado é finalizar essas etapas em 15 meses para a abertura da licitação.

Os reservatórios devem armazenar 75 bilhões de litros de água, o que equivale a 7,7% da capacidade do Sistema Cantareira.

 

Após a conclusão dos estudos e de todas as liberações, a previsão do tucano é que o sistema seja construído em dois anos.

 

 

 

Rio Atibaia na segunda-feira (28): nível não para de cair

Créditos: Edu Fortes/AAN

 

 

 

 

Alckmin também afirmou que pretende adiantar o início das obras de interligação do Sistema Cantareira com o Rio Paraíba. A estimativa é de 120 dias.

 

“Queremos fazer, se possível, em 90. Serão 15 quilômetros entre Nazaré Paulista, que é da represa do Atibainha no Cantareira, com o município de Igaratá, onde está a represa do Jaguari, que é da bacia do Paraíba. Essa interligação deve possibilitar a captação de 5,1m3/s”, disse o tucano.

As obras propostas pelo governo para aliviar a crise, segundo Alckmin, não foram pensadas agora. Uma das críticas feitas ao governo por promotores do meio ambiente e por membros do Comitê PCJ foi sobre a demora, por questões políticas, em tomar providências contra a dependência do Cantareira.

 

Alckmin negou que tenha protelado suas decisões e defendeu a atual rede de abastecimento.

 

“O Sistema Cantareira foi concebido para atender a Região Metropolitana de São Paulo e do PCJ. A metrópole de São Paulo tem 22 milhões de habitantes, está a 700 metros de altura e não tem água. Então você vai buscar longe”, disse.

 

Veja também

Escrito por:

Milene Moreto