Publicado 02 de Maio de 2014 - 5h00

Por Marcelo Rocha

Anderson Gabriel torceu o tornozelo; atendimento demorou 6 horas

Bolly Vieira

Anderson Gabriel torceu o tornozelo; atendimento demorou 6 horas

Moradores de São Pedro estão reclamando do atendimento da Santa Casa daquele município.

 

De acordo com os usuários do pronto-socorro do hospital, que está sob intervenção da prefeitura desde 2005, o principal problema no serviço é a demora no atendimento médico.

 

A população também cobra a abertura efetiva da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), posto de saúde que em 2012 foi entregue inacabado e que, desde então, permanece fechado.

Anderson Gabriel, 24, relata que no fim do ano passado foi ao pronto-socorro da Santa Casa após torcer o tornozelo numa partida de futebol. Segundo ele, deu entrada no PS às 6h e só foi atendido por volta das 12h.

 

“Fui muito mal atendido, a começar pela recepção até chegar ao médico”, diz o jovem, que produz conteúdo de humor para a internet.

 

“Meu pé estava inchado, roxo, doendo demais. Demoraram cinco horas para me atender, mas quando eu cheguei (no hospital) não havia nenhum paciente na minha frente”, observa o rapaz.

Revoltado com o serviço, Gabriel inclusive postou um vídeo no YouTube narrando sua passagem pelo PS.

 

“Quando você é finalmente atendido os médicos não examinam você. Fazem apenas algumas perguntas e te mandam para casa. E sempre são três remédios que eles (médicos) receitam para tudo e para todos”, afirmou à reportagem.

 

“E se eu não tivesse pedido a imobilização do tornozelo ele não teria colocado a tala, um absurdo”, desabafa.

Na segunda-feira, a auxiliar de confecção Bruna Prudêncio chegou às 13h30 e pouco antes da 16h havia passado apenas pela triagem. Ela estava com dor de cabeça. “Sempre que venho aqui é essa demora. Uma vez esperei cinco horas para ser atendida”, recorda.

A dona de casa Patrícia Catarina de Oliveira, 45, procurou o PS na tarde de segunda-feira porque o filho de 22 anos estava com sintomas de dengue.

“Meu filho acordou com febre e já estamos aqui há quase duas horas para ele ser atendido, é um descaso”, declara. “As pessoas atendem a gente super mal, parace que todo mundo (pacientes) está aqui porque quer. O atendimento é péssimo”, critica.

De acordo com a faxineira Maria Gomes, 36, demorou quatro horas para que sua filha de 11 anos fosse atendida, também na segunda. A paciente estava com uma crise de bronquite. “Sempre demora, é uma vergonha. E as recepcionistas são péssimas, mal educadas”, conta.

Histórico recente

Em 2005, a Vigilância Sanitária do município fechou a Santa Casa de São Pedro por falta de condições básicas para o atendimento público.

 

Em dezembro do mesmo ano, a Prefeitura de São Pedro decretou a intervenção no hospital e, desde outubro de 2013, resgatou a condição de entidade filantrópica - que garante, por exemplo, o não-pagamento de encargos trabalhistas.

A prefeitura local destina cerca de R$ 350 mil por mês à manutenção do hospital e outros R$ 109 mil são recursos oriundos do SUS (Sistema Único de Saúde).

E em 2014, o Ministério da Saúde repassará R$ 502.388,15 ao hospital - benefício gerado por um pacote que liberou recursos da União a entidades filantrópicas e Santa Casas de todo o país.

Quando recuperou o status de entidade filatrópica, a Santa Casa acumulava uma dívida de aproximadamente R$ 22 milhões, segundo o atual prefeito Helinho Zanatta.

UPA

Moradores de São Pedro também cobram a inauguração da UPA, instalada ao lado da Santa Casa. Novinha em folha, porém desativada.

 

A unidade teria sido “inaugurada” às pressas em dezembro de 2012, na gestão anterior, de maneira precária e sem equipamentos médico-hospitalares.

 

A reportagem apurou que um técnico do Ministério da Saúde ficou uma semana no município, quando constatou a irregularidade.

 

Prefeitura

Sobre a demora no atendimento, o administrador da Santa Casa Jordano Zanoni esclarece que os casos de dengue registrados no município provocaram alteração no atendimento regular do hospital.

 

“Estamos sendo a referência entre as unidades de saúde para esse atendimento, considerando o protocolo estipulado pelo CVE – Centro de Vigilância Epidemiologia /Ministério da Saúde”, diz.

 

De acordo com Zanoni, os procedimentos dedicados ao controle da dengue “têm sobrecarregado o atendimento, mesmo com dois profissionais atendendo e, em alguns momentos, três.”

 

Zanoni salientou também que os casos de urgência e emergência são atendidos de acordo com a sua prioridade e com o protocolo de Manchester, que prioriza os atendimentos conforme a emergência.

Quanto às reclamações sobre a má qualidade de atendimento, Zanoni informa que os colaboradores estão participando de cursos de capacitação - atendimento ao usuário, telefônico e recepção.

Sobre a UPA, em nota o prefeito Helinho Zanatta “esclarece que a unidade foi entregue em dezembro de 2012 inacabada em relação às obras civis e sem qualquer equipamento, portanto sem condições de atender ao público”.

 

O texto segue dizendo que “desde o início de seu governo foram adotadas todas as medidas necessárias para o funcionamento da unidade de saúde, entre as quais a compra de equipamentos como desfibrilador, aparelhos de raio X e outros exigidos em uma unidade de pronto-atendimento, que consumiram mais de R$ 500 mil.”

De acordo com a nota, “há exigências técnicas que provocaram mudanças na estrutura física do prédio e dependem de homologação do Ministério da Saúde para entrar em operação.

 

Paralelamente à adoção de todos os procedimentos necessários, a Prefeitura prepara cursos de capacitação e treinamento de pessoal para atuar no Pronto Atendimento que devem começar em maio.”

A previsão é que a UPA entre em funcionamento no segundo semestre.

Escrito por:

Marcelo Rocha