Publicado 02 de Maio de 2014 - 5h00

Por Carlo Carcani

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Vejo muitas críticas aos “novos ricos” do futebol europeu nas redes sociais e nas análises de alguns colegas de profissão. “Time de modinha” e “time de bilionário” são expressões usadas para celebrar cada fracasso de clubes como Manchester City, Chelsea e PSG. Eu não tenha nada contra esses clubes porque, no meu modo de ver, foram apenas os primeiros de muitos. A brincadeira de pagar pequenas fortunas todos os meses para milhares de jogadores dos principais campeonatos europeus sempre foi muito irresponsável.

Quando chega a hora de acertar as contas, os clubes, com raras exceções, são incapazes de fazê-lo. E então aparece a oportunidade para grandes empresas ou os tais bilionários entrarem no mundo do futebol.

City, Chelsea e PSG são os mais citados porque investem mais, brigam por títulos e contratam estrelas. Mas a Europa está repleta de times com novos donos. E muitos ainda procuram desesperadamente um bilionário para chamar de seu.

Não se trata, portanto, de uma modinha. É uma tendência. Tem seus pontos negativos (alguns donos são odiados porque querem mudar tradições valiosas para a torcida) e positivos. Perguntem aos torcedores dos times de modinha se eles estão tristes com tantos craques no elenco. E perguntem aos torcedores dos clubes que os críticos chamam de normais se eles também não gostariam brigar por títulos quase todos os anos.

Escrevi tudo isso para comentar a eliminação do Chelsea na semifinal da Liga dos Campeões. Fiquei muito feliz com a vitória do Atlético de Madrid em Stamford Bridge, mas não foi pelo fracasso de Roman Abramovich, o magnata que pagou 210 milhões de euros pelo Chelsea em 2003.

Fico feliz pelo fracasso de José Mourinho, que é, não se discute, um dos grandes treinadores do futebol mundial. Mas tanto nessa Champions como em outras oportunidades, ele tentou triunfar com um esquema que abomino.

Marcar muito bem é uma virtude necessária para qualquer time competitivo. Mas o que Mourinho fez foi abrir mão de jogar com a bola nos pés. Só pensou em retrancar seu time e esperar o gol da vitória em um contra-ataque ou um gol de bola parada. A postura do Chelsea no 0 a 0 de Madri foi vergonhosa. Mesmo em Londres, Mourinho jogou atrás.

O Atlético, com um orçamento muito inferior, jogou bola nas duas partidas. Foi melhor do que o Chelsea em tudo, inclusive na marcação.

A vitória do Atlético foi uma vitória do futebol.

Escrito por:

Carlo Carcani