Publicado 03 de Maio de 2014 - 13h48

A diretora Mini Kerti e o roteirista Leandro Assis, de  Muitos Homens Num Só

Divulgação

A diretora Mini Kerti e o roteirista Leandro Assis, de Muitos Homens Num Só

'Muitos Homens Num Só', primeira ficção da diretora carioca Mini Kerti, foi o vencedor, com nove Calungas, da 18ª edição do Cine PE Festival do Audiovisual, que terminou ontem no Recife (PE). Somados ao prêmio do júri popular, totalizam-se dez troféus. Um exagero. Com tantos prêmios, supõe-se que o filme seja obra-prima, o que está longe de ser.

Em festival com produções mais ou menos iguais o razoável seria uma divisão mais justa. O júri preferiu o opção exagerada. Baseado em história real e inspirado em personagens de diversos livros de João do Rio, pseudônimo do escritor Paulo Barreto (1881-1921), o filme conta a história de Artur (Vladimir Brichta), ladrão inteligente que se hospedava-se com nomes falsos nos hotéis do Rio, no início do século 20.

O melhor filme de ficção, claro, na minha opinião, Romance Policial, de Jorge Durán, ganhou três troféus. E houve o exagero também empatar dois prêmios: coadjuvante masculino e feminino (ver lista nesta página). Nenhuma das duas opções se justifica. Como não se justifica a menção honrosa ao pior filme do evento: Mundo Deserto de Almas Negras, de Ruy Veridiano.

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O melhor filme do Recife (juntando ficção e documentário) chama-se E Agora? Lembra-me, documentário do português Joaquim Pinto, escolhido também como o melhor pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema - Abraccine. Trata-se de um dolorido diário do próprio diretor, que convive com o HIV há quase 20 anos.

A justificativa do júri Abraccine também serviu de homenagem ao jornalista e crítico baiano, João Carlos Sampaio, do jornal A Tarde, e associado da entidade, que morreu aos 44 anos de infarto fulmintante na manhã de ontem o Recife.

Depois de ver o filme na segunda-feira, João escreveu o seguinte texto, lido durante a cerimônia: “Dores no corpo e na alma diante da angústia de ter os dias contados... e esse dolorido confrontado com um estranho ‘carpe diem’. Um jeito de lidar com o tempo que resta, que não se submete ao desespero pela alegria, ou ao arrebatamento da festa, mas por algo que é quase o oposto da euforia. Uma celebração quase religiosa do tempo, como se um dia inteiro coubesse numa tarde morna, acomodada em afetos demorados, intensos sentimentos e silêncios... Tô falando de E agora? Coisa finíssima!”

Por conta da morte do jornalista, a cerimônia foi curta e simples. Além disso, foi a noite de homenagem póstuma a José Wilker, que morreu no início de abril e teve a presença da filha Isabel Wilker. Também homenageiou-se os 50 anos do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

Os vencedores do 18º Cine PE Festival do Audiovisual

Filme

Muitos Homens Num Só, de Mini Kerti

Direção

Mini Kerti (Muitos Homens Num Só)

Ator

Vladimir Brichta (Muitos Homens Num Só)

Atriz

Alice Braga (Muitos Homens Num Só)

Ator Coadjuvante

Alvaro Rudolphy (Romance Policial, de Jorge Durán) e Pedro Brício (Muitos Homens Num Só)

Atriz Coadjuvante

Roxana Campos (Romance Policial) e Pia Engleberth (Anni Felice)

Roteiro

Leandro Assis (Muitos Homens Num Só)

Fotografia

Luis Abramo (Romance Policial)

Direção de Arte

Kiti Duarte (Muitos Homens Num Só)

Trilha Sonora

Dado Villa-Lobos (Muitos Homens Num Só)

Edição de Som

Tomás Alem (Muitos Homens Num Só)

Montagem

Mirco Garrone (Anni Felice, de Daniele Lucheti)

Prêmio do Júri Popular

Muitos Homens Num Só, de Mini Kerti

Prêmio da Crítica – Júri da Abraccine

E Agora? Lembra-Me, de Joaquim Pinto (Portugal).

Menção honrosa

O Menino no Espelho, de Guilherme Fiúza Zenha, ao elenco infantil do filme e a Mundo Deserto de Almas Negras.

*O jornalista viajou a convite do festival