Publicado 04 de Maio de 2014 - 5h00

Por Delma Medeiros

Órgãos de tubo chegaram ao Brasil desde a época do descobrimento até o século 19 e início do século 20

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Órgãos de tubo chegaram ao Brasil desde a época do descobrimento até o século 19 e início do século 20

Apaixonado pelo órgão de tubos desde a infância, o músico Handel Cecílio, de Belo Horizonte, escolheu a história do instrumento como objeto de pesquisa de sua tese de doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), abrangendo os períodos colonial e imperial. “Fiz um levantamento histórico dos órgãos que chegaram ao Brasil desde a época do descobrimento até o século 19 e início do século 20, tendo por foco os mosteiros beneditinos, ordens eclesiásticas e igrejas”, diz o musicista, com graduação em piano e especialização em órgãos.

Cecílio afirma que para traçar o perfil histórico do instrumento, considerou o contexto religioso, social, urbano e econômico de cada século da história do Brasil. “O triste é constatar que muitos órgãos desapareceram no Brasil e outros estão sem a devida manutenção”, diz o músico. Para ele, o Concílio Vaticano 2º (1962-1965), que abriu espaço nas igrejas para utilização de outros instrumentos musicais, foi mal interpretado e os órgãos de tubos foram deixados de lado.

 

“A tradição ainda se mantém, mas não como já foi antes, quando apenas os órgãos eram admitidos nas igrejas. Atualmente, temos organeiros (construtores) brasileiros e muitos órgãos digitais. O som não se compara aos órgãos originais, mas eles são mais baratos e de mais fácil manutenção. Com isso, está voltando o uso dos órgãos nas celebrações”, diz Cecílio.

 

Desde o mestrado, Handel o músico se dedicou ao estudo dos órgãos, organistas e organeiros dos períodos colonial e imperial. A única forma de promover o resgate histórico foi por meio de documentação eclesiástica e de crônicas de época. Para seu trabalho, Cecílio examinou milhares de documentos e aprendeu paleografia (o estudo de textos manuscritos antigos e medievais). Seu doutorado resultou na tese A Arte Organística nos Mosteiros Beneditinos do Brasil Colonial e Imperial: seus Órgãos, Organistas e Organeiros, sob orientação da professora Helena Jank, da Unicamp e coorientação de Maria do Rosário B. Morujão, da Universidade de Coimbra.

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Delma Medeiros