Publicado 03 de Maio de 2014 - 23h39

Por Carlo Carcani

O jornalista Carlo Carcani Filho

Ércia Dezonne/AAN

O jornalista Carlo Carcani Filho

Quem ouvir com atenção a chamada da Fox Sports para o Derby della Madonnina verá que ela contém um retrato do momento difícil que vive o futebol italiano. A emissora chama a atenção para transmissão do clássico deste domingo com uma frase parecida com essa: “O Milan de Kaká, Robinho e Balotelli contra a Inter de Hernanes e companhia”.

O que chamou minha atenção foi o “Hernanes e companhia”. Até outro dia, era a Inter de Eto’o, Julio Cesar, Higuain, Mourinho, Ronaldo, Ibrahimovic, Maicon, Figo, Roberto Carlos e tantos outros astros de primeira grandeza.

Hoje a lista ainda conta com jogadores muito bons, claro, mas a diferença é gritante. Nagatomo, Guarín, Kovacic e Palacio são nomes com menor impacto do que o “e companhia” que a Fox utilizou em sua chamada.

No Milan, Kaká e Robinho são atrações, mas, convenhamos, estão em um nível bem inferior ao que já atingiram na Europa.

Kaká é um ídolo do Milan muito mais pelo que fez em sua primeira passagem pelo do clube do que por aquilo que pode fazer agora. Robinho alterna boas atuações com seguidas aparições no banco de reservas.

Assim como Hernanes e companhia, são bons jogadores, mas, definitivamente, o Derby della Madonnina já teve dias melhores.

O Campeonato Italiano era o mais forte quando a Europa começou a contratar craques do mundo todo. As grandes estrelas jogavam lá, a média de público da Série A era muito maior do que a atual e times como Inter e Milan eram protagonistas na Champions.

Isso mudou bastante. Há quatro temporadas que o futebol italiano não consegue encaixar um time na semifinal da Liga dos Campeões. A Juventus, time mais forte do país na atualidade, foi eliminada pelo Benfica na semifinal da Liga Europa.

Na época em que a Itália brilhava, o futebol da Inglaterra começava a se desenvolver. Primeiro, os ingleses encararam de frente, e sem tolerância, o problema da violência. Depois, uma liga profissional e competente passou a gerenciar o campeonato nacional.

O resultado é o que vemos hoje: estádios lotados em todas as divisões, um campeonato empolgante e estrelas de primeira grandeza em várias equipes.

E se antigamente o Brasil só aparecia por lá com Mirandinha no Newcastle e Juninho no Middlesbrough, hoje tem meia de Seleção no Chelsea, além de brasileiros no City, no United, no Liverpool...

Na terça-feira, darei sequência ao assunto, comparando o sucesso da Premier League com o tipo de “liga” que os clubes brasileiros gostariam de implantar por aqui.

Escrito por:

Carlo Carcani