Publicado 01 de Maio de 2014 - 12h49

Por France Press

Manifestantes ucranianos pró-Rússia durante proteste ao leste do País

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Manifestantes ucranianos pró-Rússia durante proteste ao leste do País

Trezentos manifestantes pró-russos atacaram nesta quinta-feira (1°) a sede do Ministério Público regional em Donetsk, no leste da Ucrânia, onde a insurreição pró-russa, cada dia mais agressiva, estende seu controle.

 

A multidão em Donetsk lançou pedras contra o edifício e uma centena de policiais antidistúrbios que defendiam o local responderam com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. Os manifestantes desarmaram os policiais ao grito de "fascistas!".

Ao menos quatro policiais que protegiam o edifício ficaram feridos, observaram os jornalistas da AFP.

O ataque ocorreu ao fim de uma manifestação pró-russa de 10.000 pessoas em Donetsk, cidade de um milhão de habitantes reivindicada pelos separatistas como "a república de Donetsk".

Por sua vez, após dias de negociações infrutíferas, a chefe do governo alemão, Angela Merkel, pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, que ajude na libertação dos membros da Organização para a Segurança e a Cooperação Europeia (OSCE) sequestrados por pró-russos em Slaviansk, no sudeste do pais.

Os dois líderes conversaram por telefone, e Putin insistiu na necessidade de que Kiev "retire as unidades militares das regiões do sudeste da Ucrânia" e de que um diálogo nacional seja aberto no país.

- Manifestação patriótica em Moscou -

Neste 1º de Maio, feriado, os tradicionais desfiles da Festa dos Trabalhadores deram a cada lado a chance de defender suas convicções.

Em Kiev, as massas não se mobilizaram, apesar da crise que o país atravessa, a pior na história desta ex-república soviética. Apenas entre 2.000 e 3.000 pessoas se reuniram, gritando slogans a favor da unidade da Ucrânia, observou a AFP.

"O objetivo desta ação é demonstrar que estamos a favor da paz, da tranquilidade, da prosperidade. Queremos uma vida melhor para toda a Ucrânia. Queremos proteger juntos o leste e o oeste, o norte e o sul da Ucrânia", declarou à AFP Vira, uma professora de 68 anos.

Já em Moscou a mobilização foi forte e patriótica: cerca de 100.000 pessoas marcharam na Praça Vermelha, como nos tempos da União Soviética. "Estou orgulhoso do meu país" e "Putin tem razão", indicavam os cartazes agitados pela multidão.

O mesmo fenômeno foi registrado em Simferopol, a capital da Crimeia, anexada em março à Rússia, onde 60.000 pessoas marcharam agitando bandeiras russas e retratos do presidente Putin. "Somos Rússia" e "Putin é nosso presidente" eram algumas das frases em suas bandeiras.

- Influência de Putin -

Em Slaviansk, reduto rebelde pró-russo do leste da Ucrânia de 110.000 habitantes, os rebeldes detêm há quase uma semana uma equipe de observadores da OSCE.

As negociações com a organização de Viena para sua libertação parecem estancadas há dias.

Em uma conversa telefônica, "Merkel pediu uma contribuição para a libertação dos observadores militares detidos no sudeste da Ucrânia, cidadãos de países europeus, incluindo a Alemanha", informou nesta quinta-feira o Kremlin em um comunicado.

"Não há novidades", havia indicado horas antes à AFP a porta-voz dos rebeldes, Stella Jorosheva, que afirmou, no entanto, que o ambiente das negociações era amistoso. O grupo de detidos pelos pró-russos é composto por sete estrangeiros e quatro ucranianos.

O chefe dos separatistas e prefeito autoproclamado de Slaviansk, Viacheslav Ponomarev, confirmou nesta quinta-feira à agência Interfax que negociava com as autoridades ucranianas. "Esperamos poder trocá-los por nossos camaradas capturados em Kiev", disse.

Os rebeldes também negociam o destino de três oficiais ucranianos capturados há alguns dias: "eles estão bem, também vamos tentar trocá-los", acrescentou Ponomarev.

Os rebeldes pró-russos, hostis ao poder instaurado em Kiev após a queda do presidente Viktor Yanukovytch, no fim de fevereiro, seguiram nos últimos dias estendendo seu controle sobre uma série de cidades do leste da Ucrânia.

Controlam edifícios estratégicos (prefeituras, delegacias e serviços de segurança) em mais de uma dezena de cidades.

Em Kiev, as autoridades realizaram durante a noite de quarta-feira novos exercícios militares. Integrantes das unidades especiais da guarda presidencial, a bordo de dezenas de veículos blindados, cercaram o edifício do Parlamento e franco-atiradores saltaram de paraquedas para se posicionar nos telhados.

O governo também indicou que cogita realizar um referendo sobre a unidade ucraniana e a descentralização em paralelo à eleição presidencial antecipada para 25 de maio.

Kiev havia anunciado na quarta-feira ter colocado em estado de alerta total suas forças armadas para o combate, e a Rússia respondeu acusando Kiev de "retórica belicosa para intimidar sua própria população".

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