Publicado 26 de Maio de 2014 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

A vazão do Rio Atibaia subiu mais um pouco no domingo (25) na área onde a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) faz a captação para abastecer 95% de Campinas.

 

O volume de água foi de 10,6m3/s pela manhã, resultado da chuva que caiu na calha principal e nos afluentes desde quarta-feira — na sexta-feira, por exemplo, o volume era de 9m3/s.

 

Mesmo assim, a vazão está abaixo do que foi registrado há um ano, quando passaram pela captação 17,5m3/s e bem inferior à média histórica do mês, que é de 16,1 m3/s.

A previsão de chuva é de acumulados 50mm a 75 mm nas Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) até amanhã, segundo boletim diário da Sala de Situação dos Comitês PCJ.

O conjunto de represas do Sistema Cantareira, que enviam água para a região de Campinas, o chamado Sistema Equivalente, operou ontem em mais um dia de queda, armazenando 25,35% da capacidade — no dia anterior eram 25,43% e há uma semana eram 26,13%.

 

 

 

Nível da água alcançou plataforma que guarda um pequeno barco à margem do Atibaia, em Sousas: melhora, mas ainda abaixo da média histórica

Créditos: Edu Fortes/ AAN

 

 

 

 

O sistema descarregou 3m3/s para a região — sendo 1m3/s no Rio Jaguari e 2m3/s no Rio Atibaia — e 18,13/s para a Grande São Paulo.

O abastecimento está sendo garantido por causa da retirada da reserva estratégica que existe no Cantareira, o chamado volume morto — água que está abaixo da saída dos túneis que interligam os reservatórios e que só consegue ser captada com uso de bombas.

 

É a primeira vez que a polêmica manobra está ocorrendo para abastecer a Grande SP. A operação teve início na semana passada, na represa Jacareí. 

Não há consenso sobre quando essa água acabará. Segundo as estimativas dos gestores do Cantareira, o volume morto dos reservatórios é uma reserva técnica que soma cerca de 481 bilhões de litros.

 

Serão retirados inicialmente 183 bilhões, sendo que 105 bilhões serão disponibilizados a partir de hoje no reservatório Jaguari-Jacareí e outros 78 bilhões, a partir de junho, na represa Atibainha, em Nazaré Paulista.

A manobra visa exclusivamente atender a Grande SP porque o que é volume morto para a Bacia do Alto Tietê — que está abaixo dos túneis de captação da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) — é volume útil para as Bacias PCJ.

 

Segundo o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), essa água é descarregada para as Bacias PCJ por meio das válvulas ou comportas existentes no fundo das represas, que liberam água para os rios Jaguari e Atibaia.

A operação de retirada da reserva técnica está exigindo investimentos de R$ 80 milhões. Para a captação foram construídos dois canais, que somam 3,5 quilômetros de extensão, e a instalação de 17 bombas nas represas Atibainha e Jaguari-Jacareí.

Plano municipal

A direção da Sanasa vai expor hoje à Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Campinas o plano de contingência que será adotado pela empresa se a vazão do Rio Atibaia chegar a volumes que impeçam a captação necessária para abastecer 95% da cidade.

 

O limite de vazão que definirá o momento de deflagrar o racionamento é de 4m3/s.

 

As chuvas dos últimos dias, no entanto, afastaram a necessidade imediata de cortes no fornecimento.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente, Luiz Carlos Rossini (PV), disse que a proposta da comissão é conhecer o roteiro preparado pela Sanasa e também colaborar com propostas que possam minimizar os efeitos de cortes no fornecimento de água se a cidade tiver que ser submetida ao rodízio.

A preocupação da comissão é em relação ao atendimento na área de saúde e educação, na eventualidade do racionamento.

O presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo, e o diretor técnico da empresa, Marco Antônio dos Santos, serão ouvidos pelos vereadores da comissão.

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