Publicado 24 de Maio de 2014 - 13h11

Por Maria Teresa Costa

A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) de Campinas vai apresentar, na segunda-feira, na Câmara Municipal, o plano de racionamento de água preparado pela empresa caso a medida tenha que ser adotada na cidade. Embora a chuva tenha elevado a vazão do Rio Atibaia, o volume de água que passou na captação ontem ainda é metade da média histórica do mês de maio. O presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo, e o diretor-técnico Marco Antônio dos Santos, irão detalhar o plano na Comissão de Meio Ambiente.

A necessidade de racionamento em Campinas, por enquanto, está descartada. O que irá definir o momento de implantar o rodízio no fornecimento é a vazão do Atibaia. A empresa informou que, quando chegar a 4 metros cúbicos por segundo (m/s), haverá necessidade de implantar os cortes porque, com essa vazão no rio, a cidade poderá retirar apenas 3,2m/s e permitir que o restante da água siga em frente para garantir uma vazão ecológica.

A Sanasa vem tentando garantir junto aos órgãos gestores do Sistema Cantareira uma vazão de 5m/s — a reivindicação é para que, toda vez que a vazão cair desse limite, haja liberação de mais água do Sistema Cantareira no Rio Atibaia. O ponto de monitoramento seria a área de captação de água de Valinhos, que fica cerca de um quilômetro do local onde a Sanasa retira a água para abastecer 95% de Campinas.

Na semana passada, o comitê anticrise hídrica, o GTA-Cantareira, não chegou a um acordo em relação ao pedido de Campinas e, assim, a cidade ainda não tem a garantia de que poderá enfrentar a estiagem sem necessidade de cortes no fornecimento.

A Sanasa tem preparado um plano, desde fevereiro, quando a vazão do Rio Atibaia chegou a níveis muito baixos: dividir a cidade em regiões e, no primeiro estágio do racionamento, cada região terá restrição de oferta durante quatro horas, uma vez por semana. No segundo estágio, serão duas vezes por semana e no terceiro, restrição de seis horas duas vezes por semana.

Para o vereador Luiz Carlos Rossini (PV), presidente da Comissão de Meio Ambiente, é importante a sociedade conhecer como o município está se preparando para um eventual racionamento, como, por exemplo, o período que haverá interrupção no fornecimento de água, se haverá corte em postos de saúde ou escolas municipais. O encontro será às 14h. Necessidades básicas

A última vez que Campinas sofreu racionamento foi em 1982, época em que havia água suficiente no Rio Atibaia, mas a cidade não tinha capacidade instalada para ampliar o tratamento. Isso foi resolvido com a construção de estações de tratamento. Agora, com o baixo nível do rio, a Sanasa está planejando uma maneira de distribuir a água que é possível, de forma que a população, que tem caixa d’água, consiga se abastecer e suprir as necessidades básicas.

O Rio Atibaia está recebendo 2m/s do Sistema Cantareira, que são liberados pelas represas Cachoeira e Atibainha. A vazão vem sendo garantida basicamente pelos afluentes. A Bacia do Atibaia é constituída predominantemente por seus afluentes da margem direita, onde está a Bacia do Ribeirão das Cabras, e dos córregos da Fazenda Santa Terezinha, Fazenda das Pedras, Fazenda São Lourenço, das Sete Quedas e da Fazenda Mato Dentro. Na área próxima ao distrito de Sousas, estão englobadas também microbacias da margem esquerda, onde a mais importante é a do Córrego dos Pires. Há ainda contribuição do Ribeirão Anhumas.

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Maria Teresa Costa