Publicado 12 de Maio de 2014 - 22h51

Por Maria Teresa Costa

Técnicos da ANA e Daee se reuniram com prefeitos da região para saber volume necessário de água

Edu Fortes/AAN

Técnicos da ANA e Daee se reuniram com prefeitos da região para saber volume necessário de água

A Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) iniciaram um levantamento das necessidades mínimas de água de municípios, industriais e agricultura para definir um plano de rodízio de distribuição da água nas Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e do Alto Tietê.

 

Os gestores do Sistema Cantareira estimam que, mesmo com a retirada do volume morto dos reservatórios, cuja operação tem início na quinta-feira (15), não haverá água para garantir as demandas dos setores a partir de novembro e será preciso impor medidas restritivas de consumo.

 

Apesar de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmar que a retirada da reserva estratégica do Cantareira garanta o abastecimento até março, cálculos da ANA, apresentados nesta segunda-feira (12) às empresas de saneamento da região de Campinas (SP) pelo diretor adjunto de regulação da agência, Patrick Thadeu Thomaz, mostram uma situação mais grave, caso os volumes de afluência do sistema permaneçam como os atuais, de cerca de 60% abaixo das médias mínimas.

Vazões

“Com isso chegaremos a agosto com vazões da ordem de 6 m3/s, período em que as Bacias PCJ, historicamente, necessitam de uma vazão de 7 m3/s. Somados as demandas da Companhia de Saneamento Básico (Sabesp) e PCJ, vamos precisar de 28 m3/s”, disse.

Com a previsão de entrada de 6 m3/s, afirmou, faltarão 22 m3/s para atender a demanda. Somados os volumes úteis dos reservatórios mais o volume morto, dará para chegar até 30 de novembro com os reservatórios com 5% do volume útil. Com isso, será possível liberar uma vazão média de 12,6 m3/s. “Estaremos com uma falta de 10 m3/s, que não teremos de onde tirar, a não ser com redução da demanda”, afirmou.

Necessidades

A proposta, disse o presidente da ANA, Vicente Andreu, é ter um levantamento das necessidades dos setores para poder definir a locação de água. “Com as vazões que chegam não conseguiremos manter a vazão necessária nos rios, correndo sérios risco de comprometer os reservatórios”, disse. A proposta dos gestores é administrar as vazões nos rios de forma a que os impactos sejam os menores possíveis.

O presidente do Daee, Alceu Segamarchi Jr, afirmou que os levantamentos que estão sendo feitos ajudarão os gestores a encontrar formas de partilhar a água do sistema de forma a atender, o mínimo possível, as necessidades dos usuários. A reunião nesta segunda-feira foi com os serviços de saneamento; nesta terça-feira pela manhã (13) será com o setor rural e, á tarde, com a indústria.

O Grupo de Atenção Especial do Meio Ambiente (Gaema) defende que os 3 m3/s a que as Bacias PCJ tem direito dentro da outorga do Cantareira, têm que ser garantidos. “Não dá para garantir abastecimento mínimo e nem a vazão ecológica com menos que 3 m3/s se não houver chuva. Será inviável”, disse a promotora Alexandra Faciolli, do Gaema de Piracicaba.

Cobrança

O vereador campineiro Luiz Carlos Rossini (PV), que integra o conselho fiscal do Consórcio PCJ, lembrou que os rios das Bacias PCJ formam o Sistema Cantareira e que, portanto, as bacias da região doam água para bastecer a Grande São Paulo.

 

“Somos solidários no partilhamento da água, mas, como bacia doadora, não podemos ser prejudicados e temos o direito de garanti na estiagem o que era previsto na outorga renovada em 2004, uma vazão de 5 m3/s no período da seca”, afirmou.

A situação já não está boa para muitas das cidades que se abastecem das calhas dos rios do Sistema Cantareira que começaram a montar planos de contingenciamento para enfrentar o período de seca.

 

A Prefeitura de Atibaia vai conceder bônus para quem economizar. A cidade aprovou lei para conceder 20% de desconto para quem economizar 30% de água.

 

Em 45 dias, disse Fabiane Santiago, do Serviço de Água e Esgoto de Atibaia, o desconto será oferecido aos consumidores.

As onze cidades abastecidas pela Companhia de Saneamento Básico (Sabesp) estão recebendo desconto na conta. Quem reduzir o consumo em 20% ganhará 30% de desconto no valor total da conta.

Situação das cidades

Morungaba teve que inverter a captação para o Rio Jaguari, com a construção de uma adutora, porque seu manancial secou com a estiagem.

 

Valinhos, que está sob racionamento, viu a vazão dos córregos Bom Jardim e Iguatemi ser reduzida pela metade e vai ter que instalar pontos de captação flutuantes na Estação de Tratamento 1, na captação no Ponte Alta e Invernada, para poder ter água.

Campinas está lutando para conseguir garantia de uma vazão de 5 m3/s, para não ter que racionar e tem pronto um plano de racionamento se for necessário.

 

Sumaré está enfrentando problemas com a qualidade da água e Americana já montou um plano de racionamento, porque a cidade tem apenas um ponto de captação e se o Rio Piracicaba tiver vazão na captação menor de 7,5 m3/s haverá necessidade de rodízio.

Torcendo por frio

A população de Campinas está reduzindo o consumo de água o que permitiu que nos últimos dias, a Sociedade de Abastecimento e Saneamento (Sanasa) reduzisse de 4 m3/s para 3,5 m3/s a captação de água no Rio Atibaia.

 

"Se São Pedro não mandar chuva, que pelo menos mande frio", disse o diretor de operações da empresa, Marco Antônio dos Santos. A queda de temperatura na semana passada e no início desta semana fez a população reduzir o consumo. Boa notícia diante da vazão cada vez mais baixa do rio que abastece 95% da população.

O Atibaia chegou nesta segunda-feira a 6 m3/s. Quando chegar a 4 m3/s, a cidade entra em rodizio no fornecimento, mas a empresa quer evitar isso conseguindo que os gestores do Sistema Cantareira se comprometam a liberar mais água toda vez que a vazão na captação de Valinhos, que está cerca de um quilômetro antes da captação da Sanasa, chegar a 5 m3/s.

Escrito por:

Maria Teresa Costa