Publicado 09 de Maio de 2014 - 20h40

Por Maria Teresa Costa

Retirada do volume morto começa pelo reservatório Jaguari-Jacareí, que está quase seco e é o coração do Sistema Cantareira

César Rodrigues/AAN

Retirada do volume morto começa pelo reservatório Jaguari-Jacareí, que está quase seco e é o coração do Sistema Cantareira

A retirada do chamado volume morto, uma reserva estratégica de água existente no fundo das represas do Sistema Cantareira, começará já na próxima semana, para evitar o racionamento de água na Grande São Paulo e na região de Campinas. A operação iniciará pelo reservatório Jaguari-Jacareí, em Joanópolis. O volume útil desse reservatório, que é considerado o coração do sistema, está se exaurindo — nesta sexta-feira (9) ele chegou a apenas 2,14% da capacidade.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) prevê tirar 105 bilhões de litros dessa barragem e, a partir de junho, a operação irá ocorrer na represa Atibainha, em Nazaré Paulista, com a retirada de 78 bilhões de litros.

Essa água está nos reservatórios, mas fica abaixo dos túneis que interligam as represas e sua retirada só é possível com bombas, uma manobra que nunca foi realizada no Sistema Cantareira. A missão principal é garantir o abastecimento da Grande São Paulo. Os rios Jaguari e Atibaia recebem água do volume morto por comportas de fundo existentes no sistema. A previsão é de que, em um cenário pessimista, sem chuvas a partir de outubro, o volume morto irá garantir o abastecimento, sem racionamento, até janeiro. Com alguma chuva, pode chegar até março.

Em geral, o acúmulo de águas ocorre principalmente nos meses chuvosos, de outubro a março, garantindo o abastecimento no período de estiagem. Entretanto, entre outubro de 2013 e fevereiro de 2014 foram observadas vazões naturais excepcionalmente baixas para esta época, o que contribuiu para que os reservatórios não recebessem o volume de água esperado.

A operação de retirada da reserva técnica está exigindo investimentos de R$ 80 milhões. Para a captação estão sendo construídos dois canais, que somam 3,5 quilômetros de extensão, e a instalação de 17 bombas nas represas Atibainha e Jaguari-Jacareí cuja função é retirar o volume do fundo das represas e impulsionar parcela da água presente nesta reserva estratégica para que ela siga o fluxo normal nos túneis, antes de chegar à estação de tratamento.

O Grupo Especial de Atuação no Meio Ambiente (Gaema) tem questionado a qualidade da água que está nessa reserva técnica, com base em informações de especialistas que afirmam existir riscos de contaminação, porque o fundo dos reservatórios acumula sujeira, sedimentos e até metais pesados. O Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), gestor do Cantareira, nega e diz que a água tem a mesma qualidade daquela que está acima dos túneis e que é liberada, por comportas de fundo, para os rios Jaguari e Atibaia, nas Bacias PCJ.

Para tentar segurar um pouco de água no sistema, a Agência Nacional de Águas (Ana) e o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) determinaram que apenas 3m³/s fossem liberados para a região de Campinas e até 22,4m³/s para a Grande São Paulo. Nesta sexta-feira (9) a Sabesp retirou 21,57m³/s e apesar nisso, o volume do sistema continua caindo, batendo recordes históricos diariamente.

O Ministério Público está acompanhando a situação e esperando pelos próximos passos que o governo do Estado deverá adotar para tentar evitar o caos no Sistema Cantareira. O promotores do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema) vem defendendo desde o início da crise, a redução da retirada de água pela Sabesp para que os reservatórios possam ter algum volume de água para quando a estiagem de fato chegar.

 

 

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Maria Teresa Costa