Publicado 03 de Maio de 2014 - 21h20

Para psicóloga, a violência inclui agressões físicas, abusos e nem sempre resulta em morte, mas pode causar muitos danos às crianças atingidas

Dominique Torquato/AAN

Para psicóloga, a violência inclui agressões físicas, abusos e nem sempre resulta em morte, mas pode causar muitos danos às crianças atingidas

Crimes brutais cometidos contra crianças são chocantes, mas quando os pais são os algozes, a comoção é ainda maior. Nas últimas semanas, a história de Bernardo Boldrini, de 11 anos, morto pela madrasta Graciele Ugolini no Rio Grande do Sul, com a participação do pai, Leandro Boldrini, comoveu o País.

Mas casos como os do menino Bernardo e da pequena Isabella Nardoni não são tão raros quanto se imagina. A psicóloga social e pedagoga Rita Khater diz que violência doméstica contra crianças e adolescentes está se tornando cada vez mais frequente na nossa sociedade.

Segundo ela, esse aumento decorre de não só da desestruturação familiar, mas também da banalização da violência. “De tanto falar em violência, você passa a achar normal um pai agredir o filho, a gente acaba naturalizando a violência por causa da forma em que ela está ocorrendo, com muito mais frequência”, acredita.

Segundo a psicóloga, a cultura da violência é muito disseminada na nossa sociedade. “Não se dá tanta importância para um ato de violência como antigamente”, diz.

Em Campinas, a situação não é diferente. A cidade tem cerca de 500 crianças e adolescentes atendidas em unidades de acolhimento. Os abrigos foram criados como uma opção de lar temporário para receber as crianças que tiveram que ser separadas dos pais.

Nas unidades, as histórias de violência são frequentes. “Violência inclui agressões físicas, abusos e nem sempre resulta em morte, mas pode causar muitos danos às crianças”, afirmou a psicóloga. Assistente social há 15 anos, R. conta que os abrigos da cidade estão cheios com histórias de violência e abandono. “Há vários tipos de violência contra a criança, os casos mais comuns são os de abandono, negligência, mas há sempre casos associados de violência física”, explica.

Denúncias

Os crimes contra crianças e adolescentes são os campeões de denúncias no Serviço Disque-Denúncia há pelo menos seis anos. “Quando o Disque-Denúncia foi criado, em 2001, o foco era o tráfico de drogas e outros crimes violentos. Com a evolução do tempo, por volta de 2008, as denúncias de crimes contra crianças e adolescentes aumentaram, superando as denúncias de tráfico”, afirmou o superintendente do Movimento Vida Melhor, general Mário Seixas.

Seixas conta que, nos últimos seis anos, o assunto campeão de denúncias tem sido as irregularidades contra crianças e adolescentes. “Um dos aspectos que justificariam esse aumento é uma compreensão da sociedade de que essas manifestações de violência contra os pequenos devem ser reprimidas tanto quanto os crimes como assaltos e tráfico”, pondera Seixas. Todas as denúncias são encaminhadas para os órgãos públicos de competência e acompanhadas posteriormente.

Proteção

A assistente social R. Conta que Campinas tem uma rede de proteção estruturada para atender crianças e adolescentes. Segundo ela, é preciso prestar mais atenção ao que as crianças dizem. “A criança precisa ser mais ouvida nas audiências, precisamos dar mais voz a elas”, opina.