Publicado 03 de Maio de 2014 - 15h12

Por Maria Teresa Costa

Médicos vão trabalhar nas unidades básicas de saúde

Divulgação

Médicos vão trabalhar nas unidades básicas de saúde

Com pouco mais de um mês integrando a Aceleradora de Campinas, a Quasar Telemedicina conseguiu um investidor que levará a empresa a ampliar a escala de comercialização de seu produto que hoje é feito direto ao consumidor, para chegar aos planos de saúde, governos e instituições que atuam no tratamento do diabetes. A empresa, uma startup, desenvolveu o GlicOnLine, um aplicativo que permite aos portadores de diabetes monitorarem a doença, se livrando de cálculos e tabelas usados para avaliar a quantidade de carboidrato que podem ingerir e as doses necessárias de insulina.

O mercado para o produto é grande. No Brasil, cerca de 12 milhões de pessoas têm diabetes, o que representa 9% da população adulta, cujo custo anual por paciente, segundo o Diabete Atlas da International Diabetes Federation para o Brasil, está em US$ 1,4 mil.

A GAG Participações e Investimentos, grupo voltado para o negócio social, especialmente nas áreas de saúde e educação, se associou a Quasar e já está investindo no projeto, antes mesmo da assinatura de contrato. “É um projeto que vai ajudar milhões de pessoas”, disse o executivo da GAG, Gilberto Gonçalves, uma empresa de venture capital criada no ano passado e que já tem participação em quatro negócios.

Ele não informou o valor do aporte que está fazendo na Quasar, mas disse que a estratégica da empresa é aportar no máximo R$ 300 mil e ter participação de 10% a 40% no negócio, além de assumir a gestão administrativa e financeira. Depois de três anos, a GAG tem a opção de vender sua fatia aos fundadores ou a um fundo de private equaty.

“Nunca pensei que uma coisa assim pudesse ocorrer. Há dez anos procuramos investidores, mas sempre esbarrando em problemas”, disse o engenheiro elétrico Ricardo Pessoa, que junto com a médica Karla Melo e Floro Dória, criador do GlicOnline, forma o trio de nordestinos que está inovando e melhorando a qualidade de vida dos portadores de diabetes.

Pessoa explicou que com o programa em seu celular ou computador e que pode ser baixado na App Store ou Google play, o portador da doença digita o valor da glicemia que os diabéticos avaliam continuamente, e o que irá comer na próxima refeição. O sistema tem cerca de 600 alimentos cadastrados, faz os cálculos dos carboidratos e responde, pelo celular, a dose de insulina de ação rápida necessária para compensar aquela ingestão.

Para usar o software, o paciente precisa ser acompanhado por um médico. “Ele terá todo o histórico do paciente, vai acompanhá-lo pela web em tempo real e fazer alterações no tratamento a qualquer momento. O programa funciona em smartphones (Androide e Iphone) e integra médicos, pacientes, nutricionistas e cuidadores em uma plataforma interativa e segura, trocando dados e mensagens que auxiliam a tomada de decisão correta”, disse.

O GlicOnLine foi avaliado por pacientes atendidos pelo Núcleo de Excelência em Atendimento ao Diabético (Nead-HC), organização não-governamental (ONG) vinculada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) formada por médicos e professores da disciplina de endocrinologia, e também em serviços privados de saúde, como o Hospital Domiciliar do Dr. Kleber Tavares, uma empresa de home care de Belo Horizonte (MG).

Reprodução do sistema

Mário Gatti e Ouro Verde vão avaliar o GlicOnline

Os hospitais municipais Ouro Verde e Mário Gatti poderão ser os primeiros a incluir o GlicOnLine na rotina de acompanhamento dos pacientes diabéticos da cidade. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Samuel Rossilho, informou que a Secretaria de Saúde já deu autorização para esses hospitais avaliarem o produto. “É o primeiro fruto da Aceleradora de Campinas e em tempo recorde a Quasar conseguiu um investidor. Esse case será referência para fortalecer o nosso projeto”, afirmou.

A Aceleradora Campinas é uma parceria entre a Prefeitura e o Núcleo Softex. No mês passado, dez startups foram selecionadas para, em um período de seis meses, receber mentoria de profissionais com experiência no mercado de tecnologia, e auxiliá-las a superar as dificuldade para colocar o produto no mercado.

“Os participantes tem auxílio de profissionais com grande experiência no mercado de tecnologia, que os ajudam a tomar as decisões corretas e superar as dificuldades iniciais de qualquer projeto empresarial”, afirmou o diretor executivo do Núcleo Softex Campinas, Edvar Pera Jr. 

 

SAIBA MAIS

 

Uma aceleradora é diferente de uma incubadora de empresas. Incubadoras buscam apoiar pequenas empresas de acordo com alguma diretiva governamental ou regional, por exemplo, incentivando projetos de biotecnologia devido à proximidade de algum centro de pesquisa nessa área, ou fomentar a indústria de telecomunicações em uma região que precisa de expansão nesse setor. Aceleradoras são focadas não em uma necessidade prévia, mas sim em empresas que tenham o potencial para crescerem muito rápido. Justamente por isso, aceleradoras buscam startups escaláveis (e não somente uma pequena empresa promissora).

 

 

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