Publicado 02 de Maio de 2014 - 22h05

Adriano da Silva e Francinete, pais das gêmeas Andreia e Adriana, de 6 meses: crianças em casa nos próximos dois anos

César Rodrigues/AAN

Adriano da Silva e Francinete, pais das gêmeas Andreia e Adriana, de 6 meses: crianças em casa nos próximos dois anos

Um estudo divulgado esta semana pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) fez um diagnóstico da situação atual do atendimento em creches no Estado de São Paulo e apresenta projeções de números de vagas, tendo em vista o cumprimento da meta recomendada pelo anteprojeto de lei do Plano Nacional de Educação (PNE).

Pelo Plano, todos os municípios brasileiros serão obrigados a oferecer, até 2020, vagas para pelo menos 50% das crianças de 0 a 3 anos de idade. Em 2012, Campinas tinha 40% de suas crianças nas creches e terá de criar, pelo menos, mais 7 mil vagas em creches para chegar à meta. De acordo com a Prefeitura, o objetivo é alcançar o número em 2016.

O casal Adriano Chagas da Silva, de 23 anos, e Francinete Conceição, de 21, pais das gêmeas Andreia e Adriana, de seis meses, planeja matricular as filhas na creche em 2016, ano em que a Prefeitura promete mais vagas. “Minha mulher vai ficar em casa cuidando, mas quando elas tiverem dois anos pretendemos matricular. Eu espero que, até lá, tenha vaga, porque minha irmã esperou três anos e não conseguiu matricular o meu sobrinho”, disse Adriano.

Na região do Campo Belo, a jovem Sirlene Serrato, de 26 anos, conhece as dificuldades em conseguir colocar um filho na escolinha. Sua filha Estela, hoje com 4 anos, não conseguiu vaga em quando tinha idade para entrar em uma creche — entre 0 e 3 anos. Hoje, Sirlene cuida da sobrinha Talita, de 11 meses, porque sua irmã tem que trabalhar. “Ela também não conseguiu vaga pra filha dela. A coisa mais difícil aqui em Campinas é ter vaga em creche.”

Segundo o Seade, nos municípios paulistas, os gastos médios com a educação infantil, em 2012, representaram 35% das despesas com a educação. Para 2014, primeiro ano em que a verba da Educação foi definida pelo atual governo, estão previstos investimentos na ordem de R$ 807 milhões.

Segundo dados da pesquisa, o maior problema está no déficit de vagas. Em 2012, a população de 0 a 3 anos em Campinas era de 54.449. Desse total, apenas 40,14% estavam matriculadas em creches. A maioria dos menores (14.905) era assistida em unidades municipais. 2,3 mil em unidades conveniadas com a Prefeitura e outras 4.652 crianças estavam em creches privadas, totalizando 21.857. Mas a projeção da Fundação Seade é de que, em 2016, a demanda seja de 28.965 vagas, um déficit de 7.108.

O levantamento também mostrou que o número de docentes de creche com ensino superior ou magistério aumentou: eram 86% em 2009 e subiu para 90% em 2012.

Apesar de ser baixa — menos de 50% — a taxa de atendimento nas creches em Campinas é maior que da Região Metropolitana (RMC), que tinha 39,81% em 2012, e do Estado, que tinha 37,37%.

Júlio Moreto, diretor pedagógico da Secretaria de Educação de Campinas, afirmou que o atual governo deseja atingir a meta de vagas em creches estipulada pelo PNE em 2016.

Ele afirmou que, em 2013, a Prefeitura conseguiu zerar a demanda dos alunos de 4 e 5 anos. Segundo o Seade, em 2012, 97,98% dos menores com idades entre 4 e 5 anos, da pré-escola, estavam estudando. “Também fizemos uma levantamento dos espaços que a gente tinha para serem utilizados nas naves-mães e conseguimos criar mais vagas paras o público de 0 a 3 anos.”

Contratações

De 2013 até agora, a Secretaria de Educação também efetivou mais de 200 agentes de Educação infantil e está construindo quatro novas naves-mães. “Fizemos a licitação para oito. Quatro já estão em construção e as outras quatro em licitação. Com esse número de espaços, agora, vamos poder atingir o nosso público”, afirmou Moreto, que ponderou.

“A gente nunca vai conseguir zerar o déficit (de crianças de 0 a 3 anos), porque é um número flutuante, por conta do nascimento de crianças, das migrações, mas a nossa meta, até o final do governo, é zerar.” Com as novas creches, 3,6 mil novas vagas deverão ser criadas em Campinas, restando ainda, segundo a projeção Seade, a criação de outras 3,5 mil vagas.

O reforço na rede municipal de ensino também beneficiou o ensino fundamental, informou Moreto. “Aumentamos de 83% para 93% as crianças leitoras de até 10 anos. Também tivemos a contratação de estagiários para auxiliar os professores, além de ministrar cursos de formação para professores de matemática e o projeto-piloto da escola municipal de educação integral, que começamos com duas escolas no ano passado e, até 2015, pretendemos inaugurar mais quatro”, comentou o diretor pedagógico.