Publicado 01 de Maio de 2014 - 22h22

Por Correio.com

Os alunos do Instituto Anelo estão em festa. A escola de música — aberta a menores carentes da região do Jardim Florence — acaba de ganhar a cessão de um terreno público para construir sua própria sede. A área, de 900 metros quadrados, pertence ao Município e fica na Rua Vicente de Marchi (paralela à Avenida John Boyd Dunlop), no Jardim Florence 1. O terreno, próximo à base da Guarda Municipal, pode ser usado indefinidamente pela entidade. O decreto que autoriza o uso da terra foi assinado pelo prefeito Jonas Donizette (PSB).

O instituto sonha erguer o prédio em menos de um ano. De acordo com o presidente Luccas Soares, a mudança deve coincidir com o encerramento do atual contrato de aluguel do salão usado como sede, na Rua Elizabeth Serafim de Oliveira Leite. A escola esteve a ponto de fechar as portas no começo do ano, pois faltava dinheiro para despesas essenciais.

O dono do salão, lembra o presidente, exigia reajuste no antigo contrato de locação e o Anelo chegou a gravar um CD em março, para levantar recursos e se sustentar. Depois que o Correio publicou a reportagem sobre a situação da entidade, uma seguradora de Paulínia se ofereceu para bancar o aluguel reajustado. “A ajuda da empresa foi essencial. Conseguimos manter a obra”, disse.

Mas Soares admite que uma nova batalha começa. Ele — e os 200 alunos matriculados — vão começar a campanha pela cidade e conseguir dinheiro para as obras. Nem projeto arquitetônico existe. Depois, quando estiver na nova sede, a entidade poderá usar o dinheiro arrecadado para aprimorar seus próprios serviços. Há alunos que usam os mesmos instrumentos, antigos, em horários alternados de aulas.

História

Luccas Soares fundou o Anelo no ano 2000. Ele conta que, para se tornar músico, contou com a ajuda de uma professora que lhe emprestou o piano por três anos. No começo, o rapaz sonhava montar a própria banda. Mas aí percebeu que tinha uma missão mais importante. A música ia fortalecer amizades, revelar talentos, dar esperança de futuro melhor a muita gente de origem bem humilde. E deu certo. Em 14 anos de história, o Anelo formou músicos que passaram a ocupar cadeiras em orquestras. Muitos conseguiram bolsas para especialização em faculdades e conservatórios famosos.

A iniciativa atraiu o apoio de colaboradores de dentro e de fora do Florence. Quando faltam doações, os próprios alunos e professores colocam a mão de bolso e tiram os trocos para pagar água, luz e manutenção de equipamentos. Desde a fundação, 2 mil jovens passaram pelo instituto.

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