Publicado 02 de Maio de 2014 - 5h00

A cartilha de citações sobre o que causa impacto nas eleições passa necessariamente pela constatação de que a economia tem papel fundamental para definir humores e tendências do eleitorado. Quando as coisas não vão bem ao bolso dos eleitores, fica insustentável a posição de governantes, que se esfalfam em relatórios que procuram disfarçar a dura realidade da situação econômica.

Nesta semana, dois indicadores quase simultâneos apontam para uma realidade que se pressentia desde o ano passado. Ao tempo em que cai a popularidade e aprovação da presidente Dilma Rousseff, cresce a percepção da sociedade sobre a crise econômica que se avizinha.

 

Altera-se o quadro eleitoral de forma negativa para Dilma buscar a reeleição — a ponto de surgir um movimento por sua substituição pelo ex-presidente Lula — movimento atribuído em parte ao escândalo envolvendo a Petrobras e principalmente pela expectativa da volta da inflação fora de controle, que já se reflete no setor de alimentos.

A pesquisa da Fundação Getúlio Vargas sobre a confiança dos consumidores brasileiros mostra que o indicador acompanha a desaceleração registrada desde o segundo semestre do ano passado.

 

Não surpreende que a maior preocupação esteja nas famílias com renda até R$ 2,1 mil, que percebem claramente a alta do custo de vida. A leitura da pesquisa permite antever a apreensão dos brasileiros em relação ao futuro da economia, o medo do retorno da inflação, a expectativa de aumento de preços de combustíveis e energia, e da alta da taxa de juros (Correio Popular, 26/4, B4).

Existe um sombrio consenso sobre os erros da política econômica do governo de Dilma Rousseff. Fica patente que mascarar resultados, promover estímulos artificiais ao consumo, leiloar incentivos e renúncias fiscais, adiar medidas indispensáveis, são ações que se esgotaram no prazo para serem cobertas.

 

Faltaram investimentos em infraestrutura, desperdiçou-se a oportunidade da Copa do Mundo, o País afunda numa crise energética e perde sua condição de promessa emergente. Agora a fatura está na mesa, na véspera das eleições, para azar ou descuido da presidente candidata.

Resta apurar a correlação entre a situação econômica, a percepção dos eleitores e a queda de popularidade da presidente. Se isto será decisivo no segundo semestre, a história registrará. Mas existe um consenso político claro sobre o que define uma eleição: é a economia, presidente!

Resta apurar a correlação entre a situação econômica, a percepção dos eleitores e a queda de popularidade da presidente