Publicado 30 de Abril de 2014 - 5h30

Os brasileiros têm quase um terço da renda comprometida com o pagamento de dívidas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgada ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).O comprometimento da renda manteve-se estável nos últimos três meses, em 30,9% de fevereiro a abril, mas está em patamar superior ao verificado em abril do ano passado, quando as famílias tinham 29,9% da renda comprometida com o pagamento de dívidas.A pesquisa mostrou ainda que houve um aumento no número de endividados na passagem de março para abril. O percentual de famílias que declararam possuir algum tipo de dívida passou de 61% para 62,3%.No entanto, a CNC ressalta que o total de endividados ainda é menor do que o verificado em abril do ano passado, assim como em meses anteriores.A pesquisa considera como dívidas as parcelas a vencer em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro ou seguro.“Não há tendência de crescimento do endividamento. Foi uma alta pontual e o resultado ainda está abaixo do que foi registrado em janeiro e fevereiro. A nossa avaliação é de que existe um processo de moderação do endividamento, devido à alta do custo do crédito”, apontou Marianne Hanson, economista da CNC.Já o aumento na inadimplência verificado também pela pesquisa em abril foi considerado pela economista como um movimento “sazonal”. O total de famílias inadimplentes passou de 20,8% em março para 21% neste mês.“É a terceira alta consecutiva no número de inadimplentes, mas esse movimento acontece normalmente no início do ano. É sazonal, provocado pelos gastos característicos desse período. Mas também tem outra razão, que é o crédito mais caro. Hoje, as condições de negociação de dívidas estão piores do que no ano passado”, lembrou Marianne.O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar as contas ou dívidas em atraso foi de 6,9% em abril, ante 7,1% em março. Em abril do ano passado, essa fatia que continuaria inadimplente totalizava 6,7%. (Da Agência Estado)