Publicado 29 de Abril de 2014 - 5h30

O sonho de moradia própria levou 20 famílias a ocuparem irregularmente uma área pública da Rua Nair da Silva Monteiro, no Jardim Telesp, em Campinas, na madrugada de domingo. As demarcações dos invasores, no entanto, foram removidas do local ontem à tarde pela Prefeitura, com apoio da Guarda Municipal. A remoção também foi feita em outra área pública do bairro, na Rua Joaquim Junco, onde dez barracos também começaram a ser instalados no fim de semana. As duas áreas juntas possuem cerca de 2 mil metros quadrados. Poucas horas antes da ação dos técnicos da Coordenadoria Especial de Habitação Popular (Cehap), a reportagem conversou com duas famílias que demarcavam terras no terreno da Rua Nair da Silva Monteiro. O técnico em refrigeração Vanderson Cristiano Silva de Castro, de 23 anos, explicou que quase todos ali já moravam no bairro, mas pagam aluguel ou dependem de outros familiares. “Vimos o terreno parado, abandonado, com lixo e matagal. Decidimos vir, limpamos e dividimos tudo”, explicou Castro, que conseguiu se cadastrar junto à Cohab em setembro, somente depois que ficou desempregado, porque a renda dele e da companheira ultrapassava o limite máximo permitido. A mãe do jovem, que vive em moradia popular do bairro, acredita que essa é a melhor opção para todos. “Teve caso de estupro neste matagal. Quem usa o ponto de ônibus na rodovia e tem que passar por aqui, tem medo”, justificou a auxiliar de serviços gerais Nanci Silva de Castro, de 50 anos. Apesar de denúncias de moradores temerosos quanto à ocupação, vizinhos entrevistados pelo Correio não viram problemas. “Problema existe no bairro inteiro e ninguém toma providência. O Parque Chacrinha (outra ocupação do bairro), por exemplo, existe há uns 15 anos. Já que não fazem nada, não tem problema morador da vizinhança ocupar ali. Cada um precisa de moradia”, desabafou um morador, que preferiu não se identificar. O coordenador da Cehap, Roberto Miyamoto, afirmou que as áreas recebem manutenção permanente e estavam limpas. A secretária de Habitação e presidente da Cohab-Campinas, Ana Maria Minniti Amoroso, informou que as famílias foram orientadas a efetuar ou manter atualizado o cadastro junto à Cohab. “A única forma para uma família obter moradia em Campinas é através de inscrição no Programa Minha Casa Minha Vida, em parceria com o governo federal, e no Programa Casa Paulista, em parceria com o governo estadual.” A Prefeitura ressaltou que a operação de ontem está de acordo com o decreto municipal 16.920, de janeiro de 2010, que criou o Grupo de Controle e Contenção de Ocupações, Parcelamentos Clandestinos e Danos Ambientais para coibir parcelamentos irregulares ou clandestinos, garantir o crescimento ordenado e a preservação de áreas ambientais.

(Jaqueline Harumi/Da Agência Anhanguera)