Publicado 29 de Abril de 2014 - 5h30

Em meio à maior epidemia de dengue da história de Campinas, cerca de 90 funcionários do Hospital Ouro Verde entraram em greve ontem. A falta de enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem fez a direção do hospital suspender 32 cirurgias, 15 endoscopias, 13 tomografias e sobrecarregou outras unidades de saúde da cidade. Apesar de o Sindicato da Saúde de Campinas e Região (Sinsaude) afirmar ter cumprido a legislação, a direção do hospital informou que a exigência de manter 30% dos trabalhadores para garantir os atendimentos de urgência não foi cumprida. Os médicos não aderiram à paralisação.

Os grevistas exigem a contratação imediata de 200 funcionários para suprir a carência de recursos humanos do Ouro Verde, além de redução das horas extras, melhores condições de trabalho, segurança e fim do assédio moral por parte de dirigentes do hospital. Em reunião à tarde no Tribunal Regional do Trabalho da 15 Região, a Associação Paulista para Desenvolvimento da Medicina (SPDM), que administra o Ouro Verde, ofereceu a admissão de 64 funcionários a partir do dia 2 de maio e a contratação de outros 110 em 15 dias. A direção admite déficit de 174 trabalhadores.

A SPDM espera o ressarcimento de R$ 1,380 milhão da Prefeitura, referente a sete meses de dissídio dos funcionários do hospital, para poder contratar. O diretor-técnico do Ouro Verde, Gustavo Guth, afirmou que a Administração se comprometeu a fazer o repasse e agregar R$ 254.933,47 por mês ao valor do convênio, a partir de 1 de maio. A Associação se comprometeu ainda a colocar mais dois seguranças no Pronto-Socorro.

Outra proposta apresentada pelo hospital é a separação dos dois prontos-socorros, infantil e adulto, que deve começar a ser feita a partir desta segunda. “Em relação aos casos de assédio moral, vamos acompanhar os casos, mas acredito que eles são pontuais. Muitas vezes a cobrança é confundida com assédio”, disse Guth.

O Sinsaude decide hoje, em assembleia às 8h, se aceita a proposta. A direção do sindicato disse que a greve deve terminar, porém, os trabalhadores voltam a cruzar os braços se os novos funcionários não forem chamados até o dia 15 de maio, segundo o diretor do sindicato, Paulo Sérgio Pereira da Silva. “Nós temos déficit em todos os setores, mas o pior é na área de enfermagem. Cada um dos enfermeiros, técnicos e auxiliares tem um número certo de leitos que eles podem atender que não é cumprido”, disse. Sobre a decisão de greve em meio a uma crise na Saúde de Campinas, onde a espera por atendimento chega a 15 horas, Silva disse que o momento para paralisação é adequado. “Os trabalhadores não dão mais conta da demanda. Melhorar as condições de trabalho é melhorar também o atendimento para a população”, completou.

Espera

Usuários que precisaram recorrer ao Ouro Verde ontem não concordam com a posição do sindicato e afirmaram que o momento escolhido para a paralisação é ruim.

O Correio esteve no hospital e todos os cinco usuários entrevistados estavam com sintomas de dengue. “Não sou contra greves, mas não quando a saúde mais precisa deles por causa da dengue. Estou desde as 6h da manhã com dor de cabeça e muita dor no corpo e ainda nem tomei medicação”, disse a diarista Silda Fernandes, de 50 anos. “A greve em um momento como este deveria ser proibida”, disse o aposentado Ailton Menezes, de 66 anos. Funcionários afirmaram que a espera no atendimento estava acima do normal e que precisaram remanejar enfermeiros de outras áreas para a urgência e emergência.