Publicado 29 de Abril de 2014 - 5h30

Um imóvel fechado há cerca de um ano e que está para locação têm causado preocupação e medo nos moradores do bairro Jardim Míriam, em Campinas. Infestado de larvas do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, o espelho d’água do prédio de dois andares, usado como depósito na região Leste da cidade, é um grande criadouro da doença.

Ontem, o Correio constatou o problema, que foi denunciado por moradores da Rua Angelo Sellin. Dezenas de larvas foram encontradas na água limpa e parada do espelho d’água, que tinha cerca de um palmo de altura. O local, segundo moradores, teria sido construído há quatro anos. “Tenho medo, mas vou fazer o que? Não sabemos quem é o dono. A água já chegou a ficar verde e quase encheu o espaço”, disse a moradora Maria Aparecida Marques, de 77 anos. Ela é vizinha do imóvel e mora no bairro há 22 anos.

Maria afirmou que mal sai de casa, e que notou o aumento da presença de mosquitos na residência. Ela disse que tem passado repelente para evitar ficar doente e que um dos vizinhos foi infectado pela dengue nas últimas semanas.

“A gente limpa nosso quintal, faz tudo certinho. Mas não adianta. A situação do vizinho é de negligência, então ficamos expostos”, afirmou. A moradora disse que mantém limpos o jardim e a casa, fazendo o “melhor possível”. A filha de Maria é enfermeira, e segundo ela, a ajudou a fazer a vistoria da casa.

Outra vizinha do “criadouro” é a dona de casa Maria Rodrigues, de 75 anos. Ela mora em frente ao imóvel, e seu filho com a família são também vizinhos. A nora dela, de 30 anos, foi infectada pelo vírus da dengue há duas semanas. “É um absurdo. Agora vivo com medo de ficar doente. Meu marido tem problemas de saúde, nem posso imaginar como ele ficaria se também tivesse dengue”, disse.

A imobiliária que administra a locação do imóvel, Prado Gonçalves, informou por meio de assessoria de imprensa que a responsabilidade de manutenção e cuidado dos imóveis que a imobiliária vende ou aluga é exclusivamente do proprietário.

A empresa informou que, quando recebe alguma denúncia ou reclamação referente a um dos seus imóveis, tem como medida informar o proprietário para que ele tome as devidas providências. O contato do proprietário do imóvel do Jardim Míriam não foi informado à reportagem.

A Prefeitura informou, por meio de assessoria de imprensa, que segundo a Vigilância Leste o procedimento da imobiliária está correto em contatar o proprietário, pois ele é o responsável pela limpeza do local. Caso não faça a limpeza, o dono pode ser notificado e autuado Pela Administração.

Federação portuguesa rejeita medo de dengue

Após a imprensa portuguesa ter noticiado a epidemia de dengue vivida em Campinas — cidade que irá receber a seleção de Portugal durante a Copa do Mundo — a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) informou ontem, ao Correio, que está tranquila em relação ao surto da doença e que tem mantido contato permanente com as autoridades da cidade.

Com mais de 17 mil casos, conforme dados divulgados ontem pela Secretaria de Saúde, a epidemia vem sendo noticiada em diversos veículos de comunicação daquele país. O jornal Correio da Manhã classificou a epidemia como “assustadora” e que está fora de controle. No site O Jogo, o destaque é o pedido de apoio feito pela Prefeitura de Campinas ao governo federal para combater o surto da doença. O site Mais futebol noticiou que o Exército brasileiro está empenhado no combate à doença em Campinas, “cidade que vai acolher Portugal”.

A emissora de TV portuguesa RTP acredita que a epidemia deve persistir no período em que a seleção estará hospedada em Campinas: “Epidemia de dengue espera seleção portuguesa em Campinas”, diz o título de uma das reportagens. “Surto de dengue na cidade sede de Portugal no Mundial de futebol do Brasil”, foi o título do Jornal de Notícias.

Em nota, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) afirmou que as autoridades de Campinas garantiram que a situação está controlada. “Estamos em contato permanente com as autoridades locais. Foram-nos dadas garantias de que a situação está identificada e controlada, não devendo haver motivo para alarmismos.” (Felipe Tonon/AAN)