Publicado 29 de Abril de 2014 - 5h30

A Prefeitura de Campinas anunciou ontem a confirmação de 17.136 casos considerados como dengue desde o dia 1 de janeiro até ontem. Os casos são projetados, uma vez que desde o dia 14 de abril os pacientes com sintomas são diagnosticados com a doença. Isso ocorre quando existe o cenário de epidemia, com mais de 100 pessoas infectadas a cada 100 mil habitantes. No último balanço divulgado, há cerca de duas semanas, a cidade já havia alcançado a maior epidemia de sua história, com 14 mil casos confirmados.

A Prefeitura não informou quantos casos graves foram registrados até ontem. Na parcial anterior, 218 pessoas tinham sido classificadas com o sinal de alarme da dengue: um nível intermediário da doença, que exige cuidados hospitalares para não evoluir. Já em estado grave — equivalente ao que antes era chamado de dengue hemorrágica — eram cinco pacientes.

A Secretaria de Saúde informou que os dados apontam para uma diminuição no ritmo de aumento dos casos notificados.

O secretário de Saúde do município, Carmino de Souza, afirmou que o momento é de prudência, embora aparentemente tenha havido uma queda da curva epidemiológica. “Ainda é cedo para dizer quão consistente é a redução e como se comportará nas próximas semanas”, disse. A projeção da Saúde é que a epidemia de dengue dure pelo menos mais um mês.

Souza afirmou que manterá a intensificação dos cuidados das pessoas doentes e que não abaixará a guarda. “Podemos perder tudo o que conquistamos. O maior troféu é a baixíssima mortalidade”, afirmou.

Entre moradores de Campinas, quatro casos de morte seguem em investigação. Dois casos foram descartados e uma morte foi registrada — a de uma moradora do Parque Prado, de 69 anos. A vítima foi atendida em hospitais particulares e teve o caso registrado no Centro de Saúde Paranapanema. A morte foi confirmada no dia 9 de abril. Outro óbito foi confirmado na cidade, mas o paciente era de Santa Bárbara d’Oeste.

O vírus que circula na cidade é o tipo 1, considerado um dos mais agressivos. A maior epidemia de dengue em Campinas até este ano havia ocorrido em 2007, com 11.437 casos, e três mortes.

Ações

A Prefeitura informou que tem realizado uma série de ações para combater a epidemia. Segundo divulgação feita ontem, foram 120 mil imóveis vistoriados para retirar criadouros do mosquito da dengue este ano. Há ainda uma liminar concedida pela Justiça que autoriza a Administração a entrar em imóveis fechados ou desocupados para realizar a vistoria. Desde quarta-feira passada, casas em Barão Geraldo, a região mais afetada pela doença, têm sido fiscalizadas.

A Administração também informou que fez mutirões de limpeza em 200 bairros de todas as regiões, com ênfase no Campo Belo, no Campo Grande e no Ouro Verde, e limpeza de córregos. Foram retirados 83 mil toneladas de entulhos, potenciais criadouros do mosquito da dengue. A nebulização foi intensificada nas últimas duas semanas, com quatro máquinas e dez equipes operando. Na semana passada, a Prefeitura também anunciou a contratação de 122 novos profissionais de enfermagem. Servidores da área afirmam que estão sobrecarregados com a alta demanda de pacientes.

Governador disponibiliza ajuda estadual ao Município

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que o Estado está disposto a liberar uma frente de trabalho para ajudar no combate à dengue em Campinas. “O Estado já tem ajudado e pode ajudar na capacitação de recursos humanos, fazendo qualificação, infraestrutura, enfim, até frente de trabalho, se houver necessidade, a gente pode disponibilizar para fazer um mutirão na cidade e região”, disse o tucano em visita àregião no sábado.

O governador disse acreditar que a gravidade da epidemia deve diminuir nos próximos dias, com a aproximação do Inverno. “Com o frio deve melhorar porque diminui as altas temperaturas e a proliferação do vetor da dengue, que é o mosquito. Mas nós não podemos esperar isso. Tem que haver um trabalho full time no sentido de reduzir essa infestação”, disse.

A Secretaria de Estado da Saúde, por meio de assessoria de imprensa, informou que a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) vem desde março reforçando o auxílio a Campinas nas ações de combate à dengue. Segundo a secretaria, mais 37 agentes foram deslocados para a cidade, totalizando 46, que estão designados para os serviços no município e estão fazendo trabalhos de nebulização nos bairros mais problemáticos. Se for necessário e solicitado pela Prefeitura, serão deslocados mais servidores para a região de Campinas

O secretário de Saúde, Carmino de Souza, afirmou ontem por telefone que a ajuda estudada seria um reforço de pessoal na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma vez que a região Norte, de Barão Geraldo, é a que mais concentra casos de dengue na cidade, segundo balanço divulgado ontem. Do total, a região acumula 26% dos casos (4.505).

Souza afirmou que a proposta, uma ajuda “indireta” ao Município, está em estudo. “A Universidade está sobrecarregada, com a alta demanda de pacientes. Isso não passaria pelo município. O Estado tem uma visão metropolitana da crise”, afirmou o secretário. Ele não soube informar como ou quando seria feito o reforço.

A Unicamp tem recebido pacientes de Campinas e região. Com a alta procura, o Hospital de Clínicas tem operado com quase o dobro da capacidade-limite. Geralmente, são atendidas 280 pessoas por dia. Com a epidemia de dengue, o número chegou a 480 pacientes diários. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, 50% dos casos são relativos à doença. (SB/AAN)

Universitários reforçarão ações em UBS

Alunos da Faculdade de Medicina da São Leopoldo Mandic passam a integrar, a partir de hoje, o plano de contingência no combate à dengue da Secretaria de Saúde de Campinas. Os 200 estudantes do 1 e 2 ano farão atendimento nas unidades básicas de saúde (UBSs) das regiões Sul e Sudoeste da cidade com foco no diagnóstico e encaminhamento para tratamento. Os trabalhos nos centros de saúde também serão acompanhados por professores e técnicos pedagógicos da instituição, que irão atuar junto às equipes de saúde locais no atendimento à comunidade. Os alunos e profissionais da faculdade participarão de três ações diferentes. A primeira será o levantamento de dados para calcular a incidência da doença nos bairros assistidos pelos postos. Também participarão de um trabalho de educação em saúde, com orientações à população sobre os sintomas e sinais de alerta e com informações sobre como prevenir a doença e evitar criadouros do mosquito transmissor da dengue. Essas duas etapas serão realizadas por estudantes de medicina do primeiro ano. Por último, os alunos do segundo ano farão atendimento inicial e encaminhamento dos pacientes para tratamento nas UBSs onde eles já realizam trabalhos desde o primeiro ano. O professor Giuliano Dimarzio, coordenador da disciplina Saúde da Família e Comunidade da São Leopoldo Mandic, que também está à frente dos trabalhos nas UBSs, afirmou que tanto os docentes quanto os alunos estão prontos para colaborar com a secretaria. Os postos de saúde que terão reforço no atendimento serão o do DIC I, Vila União, Vila Ipê, Capivari, Campo Belo, Santa Lúcia e Carvalho de Moura. (Felipe Tonon/AAN)