Publicado 29 de Abril de 2014 - 5h30

Calado desde o início da negociação com Alan Kardec, Paulo Nobre resolveu aparecer para atacar o São Paulo, que, segundo o dirigente, foi antiético ao levar o jogador para o Morumbi. Na tentativa de explicar por que o principal atacante de sua equipe vai defender um dos maiores rivais do Palmeiras, o presidente do clube até admitiu que não honrou o que foi acordado com o jogador.

"Tínhamos até o dia 30 de maio para negociar. Estava tranquilo, pois estávamos muito próximos de acertar com ele, mas um time entrou de forma antiética na negociação. Tentamos falar com o Alan, mas no sábado soubemos que ele estava certo com o São Paulo. Agiram de maneira sorrateira", afirmou o dirigente.

Visivelmente constrangido, Paulo Nobre tentava encontrar as palavras certas para os mais de 60 jornalistas que participaram da entrevista coletiva realizada na Academia de Futebol.

Apesar da revolta do presidente, oportunidades para ficar com Alan Kardec não faltaram. O atacante precisou diminuir duas vezes seu pedido salarial para conseguir conversar com o diretor executivo José Carlos Brunoro e tentar renovar o contrato. Na terceira reunião, o clube fez uma contraproposta e chegou-se ao valor de R$ 220 mil mensais para o jogador ficar no Palmeiras até 2019.

Quando chegou o momento de assinar o contrato, Paulo Nobre disse que o valor ainda era alto e tentou reduzir em mais R$ 20 mil o salário. A atitude irritou os representantes do jogador, que só a partir dali resolveram abrir negociação com outros clubes. Enquanto negociava com o Palmeiras, o pai e empresário de Alan Kardec, que tem o mesmo nome do filho, foi procurado por Corinthians, São Paulo, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Grêmio, mas só abriu a negociação após a reunião frustrada com Paulo Nobre.

O São Paulo foi o mais rápido e fez uma boa proposta para o jogador e seus agentes. "Não sou bonzinho, mas não sei fazer esse jogo sujo", disse Nobre, mais uma vez atacando o clube tricolor.

O presidente, no entanto, admite ter errado na negociação. "Eu trabalhava com um valor fixo, um variável e as luvas. Pensava num todo e não podia deixar estourar isso. Eu jogava com eles (os empresários do jogador), falando que, se quisessem aumentar o valor fixo, ganhariam menos no variável, por exemplo. Esperava mais consideração do jogador."

Sem Alan Kardec, o Palmeiras vai ao mercado para buscar um homem-gol. Paulo Nobre tentará convencer os investidores que iriam ajudá-lo a contratar Alan Kardec a apostar em outro jogador. (Da Agência Estado)

Tricolor admite abalo na relação com rival

O São Paulo admite que a negociação com Alan Kardec pode ter aumentado a rivalidade com o Palmeiras, mas preferiu não responder às acusações do presidente Paulo Nobre. A diretoria vai passar os próximos dias empenhada em fechar os últimos detalhes da contratação do atacante.

Em entrevista à Band na hora do almoço — antes, portanto, da coletiva dada por Paulo Nobre —, o presidente Carlos Miguel Aidar admitia que a relação com o rival sofreria um abalo. "Sei que vai criar um desconforto entre os clubes". Em seguida, tratou de defender a forma de agir do Tricolor. "Não estamos aliciando o jogador. Estamos aguardando o Palmeiras encerrar de vez a negociação e só então entraremos no circuito", argumentou o cartola.

Após as acusações de Paulo Nobre, o São Paulo descartou se manifestar e os dirigentes não foram encontrados para comentar o assunto.

O anúncio oficial da chegada de Alan Kardec deve ser feito durante a semana, mas a estreia será somente depois da Copa. Assim que o jogador rescindir contrato com o Palmeiras, voltará a ter vínculo com o Benfica e, por isso, a ida para o São Paulo será considerada uma transferência internacional.

Aidar confirma que já conversou com o Benfica e com um empresário do atleta. "O Alan tem um agente que cuida dos seus interesses. Com esse agente nós conversamos. Não sei como foram as conversas que esse agente teve com o jogador."

A chegada de Alan Kardec ao São Paulo fará com que alguns titulares já comecem a se mexer para não perder posição. Isso porque o jogador atua tanto como meia, quanto como atacante. (AE)

Henrique, ex-Lusa, é contratado

O Palmeiras oficializou ontem a contratação do atacante Henrique, que fica no clube até o dia 31 de dezembro. O jogador, de 24 anos, tem seus direitos econômicos ligados ao Mirassol e a apresentação deve acontecer nos próximos dias. O novo atacante se apresenta para a torcida palmeirense. "Brigo muito pela bola, gosto muito do contato físico. E, dentro da área, tenho muita tranquilidade para fazer gols", disse o atacante, que balançou a rede sete vezes com a camisa da Portuguesa no último Campeonato Paulista.

Henrique já defendeu vários clubes, mas ganhou destaque no Paulistão de 2013, quando marcou oito gols pelo Mogi Mirim. "Foi uma grande passagem no Mogi Mirim. Agradeço a Deus, pois esses últimos anos têm sido muito bons", afirmou.

O sucesso no Mogi Mirim fez o Santos se interessar pelo jogador, mas ele não conseguiu ter o mesmo desempenho com a camisa alvinegra. Henrique começou a carreira no Flamengo, de Guarulhos. (AE)

AS FRASES

“O São Paulo foi antiético. Eles têm essa prática horrorosa de assediar jogador do adversário.”