Publicado 01 de Maio de 2014 - 5h00

Moradores deverão colocar os sacos de lixo em contêineres que ficarão nas quadras dos bairros

Leandro Ferreira/AAN

Moradores deverão colocar os sacos de lixo em contêineres que ficarão nas quadras dos bairros

A Prefeitura de Campinas (SP) começa a substituir, a partir da próxima sexta-feira (6), o modelo de coleta de lixo comum, feito de porta em porta, pelo sistema mecanizado. O projeto-piloto prevê a colocação de pelo menos dois contêineres por quadra na Cidade Universitária, no distrito de Barão Geraldo, onde os moradores colocarão os detritos, em vez de deixá-los em sacos plásticos em frente às casas.

 

Com o novo sistema, a Administração deixará de pagar R$ 114 pela tonelada coletada por dia de lixo ao Consórcio Renova Ambiental e passará a desembolsar R$ 85 pelo serviço — que precisa de menos trabalhadores para operar. A economia será de aproximadamente R$ 1,130 milhão por mês quando o sistema funcionar em toda a cidade.

 

Recicláveis de fora

 

O modelo, porém, não inclui o recolhimento de materiais recicláveis, feito em apenas 2% do município. Especialistas afirmam que o governo poderia ampliar consideravelmente o índice se utilizasse o mesmo sistema para recolher os recicláveis. Além disso, os contêineres serão externos, e não subterrâneos, como havia anunciado a Secretaria de Serviços Públicos em março do ano passado.

 

A expectativa da Pasta é implantar o modelo em 30% dos bairros de Campinas em três meses. O sistema deve ser substituído por completo até 2016. Para o secretário Ernesto Dimas Paulella, a principal vantagem do novo modelo é sanitária. Os contêineres devem evitar que sacolas rasgadas fiquem no meio da rua e que bocas de lobo entupam com a sujeira. “São benefícios sanitários e ambientais. O lixo não será mais levado pela água da chuva para córregos e bocas de lobo. O contêiner deixará a sujeira vedada. Este sistema é o que chamamos de terceira geração do lixo”, disse o Paulella.

 

 

Outra vantagem, segundo o secretário, será a economia de recurso humanos — enquanto no sistema atual são necessários quatro coletores, o mecanizado precisa somente de dois. “Temos muita dificuldade com contratação de garis. É uma profissão em extinção. Muitas vezes o caminhão não sai para coletar por falta de pessoal. O novo modelo deve amenizar o problema”, explicou.

Funcionamento

 

Na próxima segunda-feira, funcionários do Departamento de Limpeza Urbana (DLU) irão até a Cidade Universitária distribuir panfletos informativos e tirar dúvidas da população sobre a coleta. Os locais de instalação dos contêineres de mil litros serão discutidos com os moradores de cada quadra, de acordo com Paulella. A coleta continua sendo feita três vezes por semana, mas os moradores poderão descartar o lixo no horário que quiserem, e não mais horas antes da passagem do caminhão, como era indicado pela Prefeitura.

 

Somente no bairro-piloto, serão 340 recipientes para atender 6 mil domicílios. Com a coleta mecanizada, os funcionários não terão mais contato com o lixo: um aparato no caminhão encaixa no contêiner e vira o conteúdo na caçamba. A higienização dos recipientes será feita pelo menos uma vez por mês. “Não tenho dúvida que a adesão da população ao novo sistema será ampla”, completou o secretário.

 

Divergência

 

O projeto apresentado pela Secretaria de Serviços Públicos diverge do plano anunciado em março do ano passado, quando Paulella afirmou que a novo consórcio responsável pelo lixo da cidade instalaria contêineres subterrâneos. A ideia era também contemplar o lixo reciclável, o que não foi feito, e contratar cooperativas para auxiliar diretamente na coleta.

 

A especialista em resíduos sólidos e professora aposentada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Eglé Novaes Teixeira afirmou que seria mais prático fazer a instalação conjunta do sistema de recolhimento de resíduo comum e reciclável. “Já que a Prefeitura está mudando, nada impede que ela coloque também um contêiner no bairro para a coleta seletiva. Seria uma forma de ampliar o reaproveitamento do lixo na cidade, que hoje é mínimo”, explicou.

 

Cuidados

 

Para Eglé, o número de recipientes poderia ser menor para o lixo reutilizável, e poderia ser recolhido em um maior intervalo de tempo. Outra preocupação da especialista é em relação à higienização dos contêineres, que, para ela, deve ser feita pelo menos duas vezes por semana. “As ruas vão ficar com mau cheiro se sacos plásticos se romperem dentro dos recipientes.”

Paulella afirmou que a ampliação da coleta seletiva será feita em outro momento. “Não conseguimos fazer tudo de uma vez”, afirmou. Ele disse também que as instalações dos contêineres subterrâneos é a próxima etapa do processo de modernização da coleta, e devem estar previstas na próxima licitação para o tratamento do lixo na cidade, em quatro anos.