Publicado 01 de Maio de 2014 - 5h00

Por Sarah Brito

Relatório do Devisa apontou a falta de equipamentos de proteção para a realização da nebulização em Campinas

Cesar Rodrigues/ ANN

Relatório do Devisa apontou a falta de equipamentos de proteção para a realização da nebulização em Campinas

Com 26% dos casos de dengue na cidade - foram 4.505 pessoas infectadas de um total de 17, 1 mil -, a região Norte de Campinas (SP) é o novo foco nas ações de combate à doença e o trabalho está sendo intensificado na área, que engloba o distrito de Barão Geraldo, com aproximadamente 70 bairros. Um deles é o Jardim Eulina, onde fica o Centro de Treinamento (CT) da Ponte Preta, que será usada pela delegação de Portugal durante a Copa do Mundo, que começa em 43 dias.

O secretário municipal de Saúde, Carmino de Souza, afirmou nesta quarta-feira (30) que até a chegada da seleção a epidemia estará "arrefecida" , mas que não é possível garantir na cidade inteira um bloqueio da transição da doença. Ele afirmara na última semana que a epidemia pode durar mais 40 dias, prazo que ficaria próximo da chegada da seleção, prevista para o dia 11 de junho. O primeiro treino está marcado para o dia 12, em Campinas.

 

Nega ligação

O secretário nega que a intensificação das ações esteja relacionada à chegada da seleção estrangeira. "Para mim, não faz diferença se tem a delegação ou não. Nosso cidadão está aqui e precisa ser cuidado", disse. Ele também afirmou que o exercício de avaliar como a epidemia se comportará é "futurologia" e que o monitoramento é feito todos os dias.

Sobre outros pontos que receberão as delegações de Portugal, e também a da Nigéria, que se hospedam e treinam em Campinas, o secretário afirmou que foram vistoriados. A Nigéria treinará no campo Brinco de Ouro da Princesa, estádio do Guarani, que fica na região do Parque Prado.

Novo foco

Com as novas ações, a região Norte será o foco do combate da dengue na cidade, que antes era na região Noroeste - o local foi até essa semana o ponto com maior incidência de infectados e o primeiro a suspender a sorologia. Para isso, é necessário atingir 100 infectados a cada 100 mil habitantes.

O secretário disse que o número de infectados na região Norte era esperado, desde o começo da epidemia, pois o local é peculiar, uma vez que são vários bairros de classe média e moradias estudantes e, com isso, a possibilidade de visitar grande parte dos imóveis foi menor.

Segundo ele, muitas das casas possuem piscina, que são criadouros ideias para o mosquito da dengue, uma vez que represam água limpa e parada. Quando vazias, são preenchidas com água da chuva, que também pode ser usada pelo pernilongo para depositar seus ovos.

Medidas adotadas

Entre as medidas adotadas estão a nebulização veicular noturna, com dois caminhões, e a nebulização costal, feitas manualmente pela equipe técnica. Ambas tem o objetivo de diminuir os mosquitos adultos.

Desde o dia 22 de abril, equipes da Vigilância em Saúde realizam vistorias em imóveis desocupados ou fechados por meio de uma liminar concedida pela Justiça, que autoriza a entrada dos agentes de controle ambiental nas residências para realizar o trabalho.  Souza afirmou que a região Noroeste ainda será alvo de ações de combate a dengue, uma vez que ainda inspira cuidados.

Foco

A vistoria feita por técnicos da Prefeitura em um imóvel fechado na bairro Cidade Universitária, no distrito de Barão Geraldo, localizou criadouros de larvas do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da dengue, na piscina, que estava com um palmo de altura de água limpa. Após a constatação do criadouro, foi jogado na água larvicida, que mata as larvas e bulbos do mosquito.

A residência estaria há cerca de um ano fechada, segundo vizinhos. A entrada na casa foi possibilitada pelo liminar concedida pela Justiça. Após a vistoria, os agentes fecharam a casa e colaram uma cópia da liminar com o dia e data da entrada, além do nome dos funcionários da Prefeitura.

 

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