Publicado 01 de Maio de 2014 - 5h00

Por Maria Teresa Costa

Construção de represa abre a possibilidade de Campinas captar água no Rio Jaguari

Cedoc/RAC

Construção de represa abre a possibilidade de Campinas captar água no Rio Jaguari

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) autoriza, nesta sexta-feira (2), a contratação da empresa Hidrostudio Themag para a realização do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) da implantação de reservatórios em Amparo e Pedreira, na região de Campinas, e que terão capacidade para armazenar 75 bilhões de litros de água, equivalente a 7,7% da capacidade do Sistema Cantareira. Esse mini-Cantareira, no entanto, só estará disponível para a região em 2018, mas quando estiver construído criará uma reserva hídrica estratégica na bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que hoje vivem sua pior crise e com risco de, em curto prazo, implantar rodízio no fornecimento de água à população.

 

O Estado liberou R$ 53 milhões para as desapropriações das áreas das futuras represas. O custo estimado dos empreendimentos é de R$ 500 milhões. Além de ser uma reserva de água, as barragens também serão pequenas centrais hidrelétricas. A empresa vencedora da licitação terá prazo de 18 meses para concluir os estudos, ao custo de R$ 14,8 milhões.

 

Replan banca o projeto

 

Os custos dos projetos serão financiados pela Refinaria de Paulínia (Replan) e foi uma das exigências dos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) que, em 2010, deu aval às obras de modernização das unidades industriais da refinaria, autorizando a retirada de mais 503m3/h de água do Rio Jaguari. A autorização de aumento de captação ficou vinculada a contrapartidas que a refinaria foi obrigada a fazer, e que somam cerca de R$ 6 milhões, nas bacias PCJ. A refinaria tem outorga do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) para captação horária de 1,87 mil m3 e pediu ampliação para 2,4 mil m3.

 

O diretor de projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad, acha difícil o governo conseguir colocar em operação os reservatórios em 2018, prazo que está previsto no Plano Diretor de Aproveitamento dos Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista.

 

Processo lento

 

“Após a conclusão dos projetos executivos e dos estudos ambientais, novas etapas terão que ser cumpridas, como as audiências públicas para aprovação dos EIA/Rima, as negociações com os proprietários das terras que serão inundadas e, por fim, a construção das barragens e o consequente enchimento. Acreditamos que todo este processo gaste entre seis a oito anos, isto sem levarmos em conta a construção do Sistema Adutor, que a nosso ver, é de vital importância para as Bacias PCJ”, disse.

 

O reservatório de Pedreira ocupará uma área de 2,1 quilômetros quadrados no Rio Jaguari e vai permitir uma vazão regularizada de 9,6 mil litros de água por segundo. O reservatório Duas Pontes, no Rio Camanducaia, deverá ocupar uma área de 4,6 quilômetros quadrados e vai permitir uma vazão regularizada de 9,8 mil litros de água por segundo, de acordo com o Daee.

Escrito por:

Maria Teresa Costa