Publicado 30 de Abril de 2014 - 5h00

Por Sarah Brito

Hospital de Clínicas da Unicamp, que realiza em média 65 cirurgias eletivas por dia: intervenções de urgência e emergência continuaram sendo feitos

Divulgação

Hospital de Clínicas da Unicamp, que realiza em média 65 cirurgias eletivas por dia: intervenções de urgência e emergência continuaram sendo feitos

O Ministério Público informou nesta terça-feira (29) que abriu inquérito civil  para investigar as causas da pior epidemia de dengue na história de Campinas, 17,1 mil casos confirmados. A promotora Cristiane Correa de Souza Hillal determinou que a Prefeitura informe, no prazo de 15 dias, todas as ações que foram feitas e o plano de ação de combate que deve estar sendo implantado.

Entre os questionamentos estão quantos casos de pessoas infectadas pela doença foram registrados de 2011 até o momento, ano a ano e qual o índice de infestação predial por bairro detectado no mesmo período. A promotora também quer que a Administração informe qual o número de casos detectados por bairro, no município e qual o tempo entre a coleta e o diagnóstico laboratorial dos casos de dengue na rede pública municipal.

 

Providências

Em relação aos óbitos provocados pela doença, o Ministério Público quer informações sobre qual o percentual em relação ao número de casos constados nos últimos três anos. A promotora questionou ainda quais as providências que o município pretende realizar para que as metas traçadas pela Vigilância Sanitária sejam efetivamente atingidas.

A secretário de Saúde, Carmino de Souza, afirmou ontem à noite, por telefone que a Prefeitura ainda não foi notificada e que, assim que o for, responderá "prontamente" aos questionamentos do Ministério Público.

 

Exportação de paciente

 

Em meio a pior epidemia de dengue da história de Campinas (SP), o Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) poderá, se necessário, "exportar" pacientes para outras unidades de saúde caso não tenha condições de atendê-los. A região Norte, onde fica o HC, em distrito de Barão Geraldo, é a que mais concentra casos de dengue na cidade, segundo balanço divulgado essa semana. Do total, a região acumula 26% dos casos (4.505).

A nova medida começou a ser adotada esta semana e, segundo a assessoria de imprensa da Universidade, nenhum paciente foi transferido para outro hospital devido a superlotação por enquanto. Segundo nota oficial da Secretaria Estadual de Saúde, será a Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) que auxiliará "em possíveis transferências de pacientes com dengue para unidades da região que tenham condições de recebê-los" .

 

Otimizar atendimento

A assessora de imprensa do órgão informou que a "exportação" serve para otimizar o atendimento. Durante a crise, o hospital tem registrado picos de atendimento, referência na região por possuir quadro universitário. Na segunda-feira, o hospital registrou 430 atendimentos durante o dia no Pronto Socorro adulto e pediátrico.

 

O número representa uma de 53,57% namédia de pacientes, que é de 280 pessoas por dia. Dos 430 pacientes, 25% correspondem a casos de dengue.

Pacientes do Jardim São Marcos e de Hortolândia recorrem ao HC da Unicamp porque não conseguiram se curar da dengue, apesar de já terem se consultado em outras unidade de saúde.

 

Equipe extra

O corpo clínico do hospital é composto por médicos, professores, residentes da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e alunos. São 40 macas disponíveis, além de 10 leitos para urgências e emergências. Com a dengue, uma equipe extra com dois técnicos de enfermagem e um médico infectologista foram realocados para dar conta da alta demanda. Mas, apesar de ser lembrado pela população para tratar de doenças como a dengue, a vocação do hospital é de casos graves.

A medida foi autorizada pelo Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, que também informou que o HC aumentou o pagamento de hora extra para enfermeiros, médicos e funcionários administrativos. Além disso, duas salas extras de hidratação foram disponibilizadas, a equipe de enfermagem do pronto-socorro foi ampliada e o corpo clínico da unidade vem recebendo treinamentos, com auxílio da Vigilância Epidemiológica, para tratamento específico dos pacientes com dengue.

Na segunda-feira (28), o secretário de Saúde do município, Carmino de Souza, havia informado que o Estado estudava a ajuda "indireta" à Campinas, por meio da Unicamp. Segundo ele, o governo estadual tem uma visão metropolitana da crise e, por isso, o reforço ao hospital universitário.

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Sarah Brito