Publicado 29 de Abril de 2014 - 9h56

Por Zeza Amaral

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AAN

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Um torcedor do Villarreal jogou uma banana no gramado e o ala brasileiro Daniel Alves pegou a fruta e a comeu e, em seguida, bateu um escanteio.

 

E o ato racista virou uma piada mundial, graças ao bom humor e altivez do jogador de bola.

 

O torcedor racista foi identificado, horas depois, por outros torcedores da equipe, e teve a sua carteira de sócio cassada pela diretoria do clube que, também, proibiu a presença desse torcedor em seu estádio pelo resto da vida.

No Brasil, torcedores invadem o campo, jogam objetos no gramado, quebram o que podem no campo adversário e a vida segue, sem maiores problemas até mesmo quando a violência resulta em lesões físicas e assassinatos.

O Ministério Público Estadual do nosso estado, por exemplo, já obrigou as torcidas organizadas dos grandes (!?) clubes de São Paulo a um termo de compromisso e a sanha violenta ainda segue imperando em nossos estádios, constrangendo torcedores pacíficos e fazendo sofrer famílias que têm seus parentes sendo feridos e mortos por conta de uma festa que deveria ser alegre e sem a menor chance de ser transformada em um filme de extrema violência.

Daniel Alves pegou a banana e a comeu, sem que tal gesto significasse o dar a outra face para ser agredida, visto que ele bem sabe não ser um Cristo que perdoa os que não sabem o que fazem.

 

Disso ele sabe: os racistas sabem muito bem o que fazem.

 

Daí não merecerem o perdão de quem quer que seja. E ele não é nenhum santo, apenas um jogador de futebol que ganha a vida para fazer a diversão de quem gosta do assunto.

 

Um ato emblemático porque naquele mesmo dia, ou quase na mesma hora, dois Papas estavam sendo canonizados pela Igreja Católica.

Futebol e santos fazem parte da vida. Sou agnóstico tanto ao futebol quanto aos santos.

 

Mas o ato de Daniel Alves comer e dar uma banana metafórica ao racismo é uma das coisas mais didáticas que já vi na minha vida, um pouco longa o bastante para finalmente acreditar que o bom humor ainda é a melhor arma para combater idiotas males da humanidade, principalmente o pior deles: o racismo — que nem racismo é porque negros, brancos, amarelos, vermelhos e mestiços são todos pertencentes à raça humana (ou será que preciso explicar com maçãs?).

Sou pontepretano e torcedor da Macaca, um racismo que já superamos há mais de cem anos. Mas algo me diz que nem todos os homens que comem banana são um pontepretano.

 

No caso, admiro a inteligente atitude cívica do ala Daniel Alves, mas, sinceramente, ele ainda tem de comer muito feijão para jogar na minha seleção. E muito mais no meu time. É isso.

Bom dia.

Escrito por:

Zeza Amaral