Publicado 23 de Abril de 2014 - 5h00

Por Milene Moreto

Monotrilho é usado em muitos países por te um custo mais barato do que o VLT; será usado também em São Paulo

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Monotrilho é usado em muitos países por te um custo mais barato do que o VLT; será usado também em São Paulo

A Prefeitura de Campinas vai abrir a concorrência para contratar a empresa que fará o estudo de viabilidade do novo modelo para o transporte público na cidade. O convênio com o Ministério das Cidades foi publicado nesta terça-feira (20) pela União e o Executivo terá do governo federal R$ 1,5 milhão para fazer o projeto. Inicialmente, a Administração trabalha com o modelo do veículo leve sobre trilhos (VLT), mas o prefeito Jonas Donizette (PSB) não descarta a viabilidade de implementar na cidade o monotrilho, uma versão que diminui a necessidade de desapropriação. No VLT, o gasto estimado é de R$ 1 bilhão. Não há estimativa de preço para o monotrilho.

Apesar da liberação dos recursos, o volume de dinheiro do governo federal poderá não ser suficiente para o projeto que vai definir o traçado e o modelo de transporte que vai ligar a região central de Campinas até o Aeroporto Internacional de Viracopos. “Estamos preparados para colocar R$ 1 milhão a mais

caso seja necessário”, disse o secretário de Administração, Sílvio Bernardin.

 

180 dias

 

Com a assinatura do convênio, Bernardin disse vai abrir a licitação nos próximos dias e a empresa vencedora terá até 180 dias para apresentar o estudo. O governo Jonas espera que o projeto esteja pronto até o final do ano. “O estudo é essencial para que Campinas consiga o financiamento junto ao governo federal”, disse o secretário. Após a realização do estudo de viabilidade, o governo estima gastar pelo menos R$ 50 milhões com o projeto de implantação do sistema.

 

O sistema de transporte sobre trilhos planejado pelo Executivo também servirá para alimentar o Corredor Noroeste, de transporte metropolitano, e os futuros corredores do Ouro Verde e do Campo Grande, que serão abastecidos pelo BRT. O dinheiro para a construção dos corredores virá do Programa de Aceleração do Crescimento da Mobilidade (PAC 2), mas até agora não chegou a Campinas. O investimento total está orçado em R$ 338 milhões (R$ 98 milhões da União, R$ 197 milhões de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, e R$ 44 milhões de contrapartida da Prefeitura).

Propostas

A possibilidade de substituir o VLT pelo monotrilho — um trem menor que um metrô e que corre sobre vigas de concreto a 15 metros do chão — passou a ser estudada pela Administração por ser economicamente mais viável. A alternativa também exige menor gasto com desapropriações.

 

O estudo vai definir, além da melhor opção de transporte sobre trilhos, o melhor traçado que poderá, inclusive, não ser o mesmo por onde circulou o VLT entre 1990 e 1995 e que foi um fracasso na tentativa de implementar na cidade de um sistema de média capacidade sobre trilhos. O antigo projeto custou US$ 120 milhões, gastos nos trilhos e estações, algumas das quais nunca chegaram a funcionar. O VLT é a versão moderna dos bondes, circula em trilhos e, quando há pouco espaço na superfície, a solução pode ser o monotrilho.

 

Outras cidades

 

O monotrilho está sendo implantado em São Paulo, mas já opera em cidades dos EUA e Japão. Ele corre sobre vigas de concreto a 15 metros do chão, o que equivale ao terceiro andar de um prédio. A altura é suficiente para fazê-lo passar por cima das pontes que cruzam o trajeto. Os pilares que sustentam essas vigas ficam, quase sempre, nos canteiros centrais das avenidas. Os vagões se movimentam com pneus de borracha sobre concreto, por isso são mais silenciosos que um trem comum — com rodas e trilhos de aço.

Uma alternativa de traçado para Campinas são os antigos leitos ferroviários. Campinas tem 120 quilômetros de malha férrea dentro do município, com 654 metros quadrados de área útil para oficinas e manobras. Os leitos conectam o Centro da cidade aos principais bairros e aos principais municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

 

Mas, hoje, tudo isso é espaço para o abandono. O Plano Diretor de Campinas de 2006 definiu pela preservação dos leitos férreos desativados para transporte de passageiros, local, turístico ou de lazer e também orientou o reestudo do sistema VLT, analisando alternativas de traçado de localização das estações e integração plena ao sistema por ônibus.

Escrito por:

Milene Moreto