Publicado 01 de Maio de 2014 - 5h00

Eletro, interpretado por Jamie Foxx, é o vilão de O Espetacular Homem-Aranha 2

Divulgação

Eletro, interpretado por Jamie Foxx, é o vilão de O Espetacular Homem-Aranha 2

O melhor de 'O Espetacular Homem-Aranha', de Marc Webb (2012), estava na ênfase dada à humanidade do herói — tanto que ele aprende a voar da forma mais prosaica, com um skate, o que gerou uma cena memorável. Frágil, inseguro e cheio de dúvidas, ele se faz poderoso, porém, nunca perde os traços humanos.

Em 'O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro' (The Amazing Spider-Man 2, Estados Unidos, 2014), Marc Webb e seus roteiristas abandonam a característica mais marcante e com a qual o espectador mais se identificava para transformar Homem-Aranha em um herói igual aos outros. Ou seja, cheio de poderes e que só pensa em brigar com os vilões — são dois.

O resultado é ação demais, efeito especial demais e luta demais. Praticamente pouca coisa sobrou do belo e poético primeiro filme. Tem-se a impressão de que o segundo foi feito apenas como passaporte para as duas sequências que virão porque quase nada acontece (fora as inúmeras lutas e os estragos a Nova York, que parecem não terminar nunca — são duas horas e 20 minutos de projeção).

Sequência

Não por acaso, a cena final nada mais é do que o começo do terceiro filme.

E as dúvidas tão humanas de Peter Parker (Andrew Garfield) não convencem nem a namorada Gwen Stacy (a doce Emma Stone). Se eles se amam, ela quer entender: por que não podem ficar juntos? A explicação do rapaz (culpa do roteiro ruim) nem o fã mais ardoroso consegue engolir: o sogro pediu para que Peter não envolvesse a filha nos rolos dele. Por causa disso, eles se separam. Quer dizer, não se separam, passam o filme num vaivém aborrecido que beira a enrolação.

Como tudo parece meio embromação. A começar dos dois vilões: Max, o Electro (Jamie Foxx) e Harry Osborn (Dane DeHaan). De ex-amigos, eles se tornam ferozes opositores e ninguém entende muito a razão. Quer dizer, entende-se, mas os argumentos não se justificam.

A trama

Parece que os quatro roteiristas (isso nunca dá certo) buscavam motivos melhores, mas como não encontraram, confiaram que a boa direção e a produção dariam conta do resto. Não deram. A produção caríssima (com bom uso do 3D) não encobre o roteiro fraco. Está bem que os fãs não se importam muito, pois querem curtir e, certamente, vão se divertir.

Bem, a história: enquanto Peter não desenrola o novelo com Gwen, vários inimigos tomam conta da cidade. O primeiro, o que dá o pontapé nas ações logo no início, é fichinha. Então, surge um vilão inesperado (a transformação dele também é dura de engolir), Electro, cujo objetivo é deixar Nova York às escuras. E logo surge um segundo vilão, que quer arrancar a pele do Homem-Aranha e provocará um episódio bem desagradável.

Problemas

'O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro' tem vários problemas, mas se salva pela magnífica produção (afinal, com tanto dinheiro) e por duas cenas. A primeira, no reencontro dos amigos de escola Peter e Harry, especialmente quando estão na praia, relembram o passado, falam de dificuldades pessoais e selam uma bonita relação de afeto.

A segunda é o aparecimento de um garoto numa situação em que se necessitava a presença do Homem-Aranha (porém, ele está desaparecido) e que permite a Marc Webb retomar ao espírito do longa de 2012. Trata-se de episódio simples que poderia soar piegas, mas, ao contrário, tem delicadeza e força suficientes para emocionar.

O papel do mito do herói salvador acalentado pela criança (e, neste caso, assumido por ela, e que muitos adultos carregam com eles vida afora) está todo resumido nesta que é a melhor sequência do filme. Neste momento, as pancadarias, as lutas e o excesso de efeitos se transformam em meros adornos.

Os números

200

MILHÕES

De dólares custou O Espetacular Homem-Aranha 2

1.100

SALAS

Exibem o Espetacular Homem-Aranha 2 no Brasil