Publicado 30 de Abril de 2014 - 5h00

Não é de hoje que me preocupo com os diagnósticos feitos e que faço sobre a política e sua relação com a corrupção. Estou convencido de que, por mais que me preocupe e me esmere em me informar, tenho uma visão ingênua do que acontece.

Os meandros da política e da corrupção são tão intrincados, complexos e escamoteados, que, mesmo com auditorias, procuradoria, tribunais de contas, Polícia Federal e o escambau, só se consegue arranhar o manto que cobre os desmandos.

 

Parte desta ingenuidade se deve ao fato de que as notícias que recebemos vem ora filtradas, ora editadas para que se tergiverse sobre o real significado dos fatos. Prova disto é o que a Comissão da Verdade está levantando sobre as atrocidades cometidas durante a ditadura, inclusive nos quartéis e a farsa do atentado ao Rio Centro. Além disto, há os plantadores de notícias com o objetivo de sondar a opinião pública ou denegrir um inimigo.

 

Talebe no seu livro A Lógica do Cisne Negro afirma que, se queremos ter uma visão mais aguçada da realidade, deveríamos deixar de assistir ao telejornais e ler aos jornais. Não chego a tanto, mesmo porque, não fosse a imprensa, muita coisa nunca seria do conhecimento da população.

 

O que estarrece é que, mesmo com serviço de inteligência e PF, quem mais tem alertado sobre os descaminhos é a imprensa. Prova disto, entre muitas, é o caso da refinaria de Pasadena. 

 

Voltei a pensar e a me convencer disto uma vez mais com o episódio do doleiro Youssef. Figura conhecidíssima nos antros da pilantragem, já havia sido flagrado outras vezes, mas mesmo assim agia com liberdade e total domínio da situação. Associou-se ao vice-presidente da Câmara, o Cunha (segundo afirmações da PF), envolveu-se com executivo da Petrobras e financiou sabe lá quem neste governo.

 

Outro caso a dar reviravoltas no estômago é o do Tremsalão, onde empresas de porte internacional e tidas como sérias até bem pouco tempo, sabe-se agora que formaram cartel, se acertaram nos ganhadores e nas rebarbas da verba e todos ficavam felizes, de políticos a empresários.

 

No que deu o caso do Carlinhos Cachoeira? Tamanho espalhafato, degolaram o Demóstenes Torres e mais alguns. A Delta Engenharia e outros envolvidos andam frequentando os salões da nobreza, como se nada tivesse acontecido.

 

Onde está o caso do Daniel Dantas que o Protógenes levantou? Alguém sabe de algo? Ou aquilo só serviu para eleger o delegado como deputado federal?

No que deu o caso do Dr. Hélio e esposa? Soltos, usufruem porventura dos 660 milhões que afirma o Ministério Público foi desviado pela quadrilha?

 

Há muita coisa podre por baixo do pano e muita água suja rolando nos túneis do poder. Os porões do poder são fétidos e os que nele se metem não tem como sair sem o cheiro ou os respingos da lama.