Publicado 30 de Abril de 2014 - 21h27

Henrique Nunes

AAN

Henrique Nunes

Volto à labuta bruto da vida, empolgado com a luta por momentos mais abruptos, pela felicidade ininterrupta. Estou com fome, rindo de barriga cheia após 30 dias de sossego, entre livros, bares e ofertas de apego. Volto à labuta chulo da vida, empostado, enfezado, ainda mais louco para aproveitar esta viagem só de ida chamada existência.

Mas é bom ter paciência, sapiência, insistência para não fazer do discurso verborrágico uma incontestável ciência. Porque é trágico, mera displicência, pensar que ficar na buena, comer banana nas redes sociais e achar que está fazendo a diferença. Esta não é e nem nunca foi a minha crença e concordo com parte da imprensa: somos, com poética licença, todos bananas.

Sim, somos bananas, mas os maiores bananas da Terra são os chamados bacanas. Gente que nunca tirou um prato da mesa e, como que de surpresa, faz de uma foto na rede uma imensa proeza. Que tristeza, Huck, Sangalo, Tiaguinho e todos os "amiguinhos" da tevê, quem te viu quem te vê, dona Dilma, que ficou bolada com as manifestações e agora se aproveita com a causa para dar bobas declarações.

O coro segue, o corpo come, e a luta de verdade cada vez mais some. Ave, Dani Alves, quanta lucidez você teve ao comer a banana e depois fazer o que tu fez: recusou o papel de vítima, alterou ritmo, acertou em cheio na matemática: falar menos e fazer mais. Nada demais. Mas muito para quem poderia, no gerúndio que convém aos fracassados, estar ajudando o próximo, distribuindo a renda, colaborando com o País, e está apenas falando, falando, falando. E comendo. Banana.

Só você, Dani Alves, teve um ato de ativismo, porque todo o resto cometeu apenas canibalismo: uma banana comendo outra. E outra: não se passaram nem uma semana e só resta apenas um babaca falando da banana. Este mesmo que vos fala, que não se cala desde os tempos de escola, mas não faz escala para o submundo da esmola. A bola rola, a barriga cresce, a gente amadurece, e já não faz prece para o que não é a vida real e tampouco se parece: não vamos mais comer bananas, seus sacanas, porque a vida não engana. E quem tem grana deveria apenas ficar de pijama, tipo bacana, que não combina com drama. Seus bananas.