Publicado 30 de Abril de 2014 - 5h00

MAZZOLA

CEDOC

MAZZOLA

Numa quarta-feira, precisamente às 20 horas, o presidente Henrique Costa de Oliveira dá por abertos os trabalhos de mais uma reunião do Lions Clube Campinas Oeste nos salões do Jockey Club Campineiro. 47 “leões” o observam. Sabem que, a seguir, virão as comunicações e as atividades do dia, não sem antes muitos aplausos ao Pavilhão Nacional exibido em grande garbo e, depois, solenemente instalado à frente da mesa formada naquela noite.

Em um distante 1974, aquela reunião era só para associados: as “domadoras”, mulheres dos “leões”, participavam das “festivas”, que aconteciam alternadamente também nas quartas, no mesmo local. Eu e Cândida formávamos o casal mais jovem por ali, quebrando uma tradição leonística: entráramos para o Lions ainda noivos, com casamento marcado para o final do ano.

O Oeste, em 2014, já tem mais de 40 anos, e segue firme na sua missão de se atirar, de corpo e alma, a relevantes serviços à comunidade, desempenhados, agora, por novos personagens. Mas guarda uma revelação importante: continuam até hoje na agremiação alguns dos pioneiros, como o João Pozzuto Neto, o Dárius Augustus Corbett, o Valquírio Augusto Cavedini, o Waldemar Haeitmann, o José Diniz, a esposa do falecido José Edgard Duarte Silva, Eunice. E com um detalhe, todos ainda muito entusiasmados e atuantes no que fazem.

Ao longo de todos esses anos, o clube de serviço fez história, realizou campanhas memoráveis, vai deixando sua marca. Olho para trás, e fico pensando: o que era para nós realmente — ainda é, acredito — ser um Leão, um Leão do Oeste naqueles anos?

Antes de mais nada, aguçava nosso espírito solidário, estimulando-nos a servir a coletividade de muitas maneiras, nas mais diversas formas e oportunidades. Havia, no entanto, uma outra qualidade, que marcava nossa vida dentro daquela pequena comunidade de líderes, cada qual em sua atividade social e profissional: organizava nossa agenda de amizades, pois, em função daquela agradável rotina das quartas feiras, tínhamos sempre um encontro marcado com os mais caros e estimados amigos da época.

Eram aqueles momentos prazerosos de estarmos juntos, trocarmos ideias, comentarmos os acontecimentos da semana, rirmos de qualquer coisa. Nossas mulheres tornavam-se amigas, trocavam fofocas, programavam novos encontros extra-leoninos para os fins de semana.

Quantas vezes saímos, todos juntos, para trabalhos como campanhas do agasalho, atendimento voluntário no Hospital Álvaro Ribeiro, no Lar Caminha da Verdade, campanhas de doação de sangue... quanta atividade, mas com que satisfação fazíamos tudo isso!

Muitas vezes, viajávamos todos para outras cidades para participar de encontros da Governadoria. Era quando discutíamos nossas atividades comuns, aprendíamos muito com “leões” mais experimentados.

Do nosso convívio surgiam até oportunidades para, sem se esperar, novos encaminhamentos em nossas vidas. Foi através de um companheiro da época, o José Edgard, que estreitei contatos com o diretor, seu amigo, de uma nova emissora de televisão que se instalava na cidade, resultando daí um dos meus mais gratificantes momentos profissionais no jornalismo. Outro, o Bob, acabou por me convidar para fazer parte da Maçonaria, numa Loja a que pertencia. Não pude aceitar, mas ficou a boa intenção do amigo.

De repente, sem que déssemos conta, nosso grupo foi se desfazendo: um anunciava que estava de mudança, outro assumira novos compromissos, outro ainda andava meio doente. E, assim, deixamos de nos encontrar como de costume. O tempo ia passando, e nós nos distanciávamos.

Num dia desses, estava no balcão de uma papelaria do Centro, quando vejo o Pedro Azevedo, cabelos encanecidos, passadas firmes, altivo como sempre, subindo pela General Osório. Larguei tudo, corri até ele, chamei-o: — Olá, Pedro. Como vai o velho companheiro?

Quando ele se virou para mim, surpreso, pude ver que não era o Pedro, mas uma pessoa muito parecida com ele. Uma decepção!

Naquele mesmo dia, conversando com o amigo Leonel, o Leonel Ferreira Gomes Filho, outro companheiro daquele tempo, fiquei sabendo que o nosso grande radialista, líder de tantas campanhas, como a dos Saquinhos de Leite em favor dos sofredores do mal do Fogo Selvagem, já não estava mais conosco havia sete anos.

Os nossos companheiros, além de sumirem de nossas vistas, também estavam morrendo. E, o pior, sem que sequer ficássemos sabendo dessas suas ausências definitivas. Que pena!