Publicado 28 de Abril de 2014 - 20h46

Por Agência Estado

Ministros decidem se condenados poderão ter as condenações revistas

Agência Brasil

Ministros decidem se condenados poderão ter as condenações revistas

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reagiram à declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o julgamento do mensalão teve "80% de decisão política e 20% de decisão jurídica". Para integrantes do STF que participaram do julgamento, as condenações dos envolvidos foram técnicas e baseadas estritamente em provas.

"O dia que pensarmos que STF decide a partir de enfoque político estaremos muito mal", afirmou o ministro do STF Marco Aurélio Mello. "Não sei qual foi o instrumento utilizado pelo presidente para encontrar essas percentagens. Mas ele nos deu um crédito, de 20%. Quase uma gorjeta", completou.

Indagado sobre os motivos do ex-presidente para ter dado essa declaração, Marco Aurélio afirmou que Lula é "um homem, acima de tudo, político". "Ele personifica o PT. Estamos em ano destinado a eleições. Temos de relevar isso", disse.

Para ministros do STF, Lula teria tentado encontrar um discurso político para justificar os fatos perante a militância: "Se puder aliviar o fardo, aliviará." Outro detalhe observado por um integrante do Supremo é a composição do tribunal. Dos 11 atuais ministros, apenas 3 não foram indicados por Lula ou pela presidente Dilma Rousseff, que são filiados ao PT.

Em entrevista à Rádio Jovem Pan, o ministro Gilmar Mendes lembrou que Lula chegou a pedir desculpas aos brasileiros por causa do mensalão. "Agora, inclusive, nós temos esta conta, que também é muito singular. Julgamento político em 80%, 20% jurídico. Como ele não é da área jurídica, talvez também ele esteja adotando um outro critério", disse. "Como se enquadrar nesse porcentual preciso de 80% e 20%. Está tudo muito engraçado", afirmou.

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