Publicado 30 de Abril de 2014 - 18h47

Por France Press

Eleições legislativas no Iraque: cerca de 60% dos 20 milhões de eleitores registrados votaram

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Eleições legislativas no Iraque: cerca de 60% dos 20 milhões de eleitores registrados votaram

Os iraquianos desafiaram nesta quarta-feira (30) a violência para eleger seu Parlamento nas primeiras eleições legislativas desde a retirada das tropas dos Estados Unidos, com o primeiro-ministro Nuri al-Maliki como grande favorito.

Cerca de 60% dos 20 milhões de eleitores registrados votaram, anunciou a comissão eleitoral durante a noite. Os altos níveis de violência horas antes da votação suscitava temores de uma alta taxa de abstenção.

Não era impossível indicar uma taxa mais precisa na ausência de informações sobre a participação em algumas regiões do país, classificadas de "sensíveis".

O chefe da diplomacia americana, John Kerry, parabenizou os milhões de iraquianos que "corajosamente votaram", considerando que eles "enviaram uma poderosa mensagem aos extremistas violentos que tentam sabotar os progressos e a democracia e semear a discórdia".

O enviado especial da ONU ao Iraque, Nickolay Mladenov, também saudou o povo iraquiano, que "mostrou determinação em exercer seu direito de voto".

Não há uma data oficial para o anúncio dos resultados, que deve levar semanas.

Os centros de votação, abertos das 07h00 locais às 18h00 (01h00 às 12h00 de Brasília), foram submetidos a um rígido controle durante todo o dia para evitar qualquer risco de atentado.

Mas nem o imponente esquema de segurança impediu os ataques, que deixaram pelo menos 14 mortos e 36 feridos.

As autoridades registraram mais de 50, principalmente contra eleitores e colégios eleitorais.

Estas são as primeiras eleições no Iraque desde a saída das tropas dos Estados Unidos, em 2011.

- 'Por um futuro melhor' -

Isso não impediu os iraquianos de votar, como Abu Achraf, de 67 anos. Esse contador aposentado, que vive no oeste de Bagdá, quer "tirar do poder a maior parte dos políticos, porque eles não fizeram nada, a não ser brigar entre si por anos".

Apoiando-se em muletas, Jawad Said Kamaleddine, de 91 anos, depositou seu voto na urna com a esperança de que "todos os políticos mudem."

"São todos ladrões", completou.

Maliki, que tenta chegar ao terceiro mandato como primeiro-ministro, votou no início da manhã em um hotel na "zona verde" de Bagdá, uma área com grande sistema de segurança que abriga, entre outros, o Parlamento iraquiano e a embaixada americana.

À frente do governo desde 2006, Maliki é o grande favorito, apesar das críticas à política de combate ao desemprego e à corrupção, ou ainda à baixa qualidade serviços públicos, em um país mergulhado na violência que provoca, em média, 25 mortes por dia.

"Se não viermos votar, para quem vamos deixar o poder? Aos inimigos?", disse Um Jabbar, depois de votar no partido de Maliki na cidade sagrada xiita de Najaf.

Em seu primeiro mandato, entre 2006 e 2010, Maliki conseguiu diminuir a violência, mas o segundo período de governo foi marcado pelo aumento dos confrontos e atentados.

As tensões entre xiitas e sunitas são profundas no Iraque e se tornaram um argumento político, utilizado pelo primeiro-ministro xiita e pelos jihadistas sunitas.

A espiral de violência colocou a questão da segurança no centro dos debates, razão pela qual Maliki e seu partido, a Aliança para o Estado de Direito, basearam a campanha na necessidade de união em apoio ao governo para acabar com o banho de sangue.

De acordo com uma regra tácita, o posto de primeiro-ministro fica com um xiita, os curdos assumem a Presidência e os sunitas mantêm a liderança do Parlamento.

A coalizão de Maliki, a Aliança para o Estado de Direito, tem boas chances de obter a maior parte dos 328 assentos em disputa. Mas não deve conseguir formar uma maioria clara, o que possibilita a outros partidos xiitas desafiar o poder no centro e no sul do país.

As negociações para formar um governo podem levar meses. Em 2010, as eleições, foram realizadas em março e o governo tomou posse apenas em dezembro.

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