Publicado 29 de Abril de 2014 - 5h00

Das formas mais abjetas de preconceito que existem, o racial é objeto do mais eloquente repúdio por parte da sociedade consciente, que reprova e impõe limites a toda manifestação ofensiva que parta de diferenças físicas. É inacreditável que ainda persistam de forma explícita ou dissimulada manifestações grotescas que procuram estabelecer qualquer tipo de superioridade humana, especialmente quando se trata de diferenças raciais. De uma forma perturbadora, têm sido frequentes atos que revelam o preconceito da forma mais baixa, revelando um perfil intolerante mesmo em situações onde se espera respeito, educação e cultura suficientes para rebater qualquer tipo de agressão moral.

 

No esporte, alguns eventos têm sido marcados por atitudes que chocam pela forma imbecil e agressiva. Nos campos de futebol, os xingamentos excedem o tom de desabafo ou de provocação das torcidas, resvalando no preconceito explícito. Mais do que uma injúria racial, é a manifestação de uma intolerável forma de dizer que os negros, principais vítimas, não deveriam estar ali. Neste final de semana, na Espanha, o jogador brasileiro Daniel Alves, em partida que defendia o Barcelona, foi agredido pela torcida adversária que lhe atirou bananas, em insinuação racista. Em resposta, ele comeu a fruta e colocou os espanhóis em ridícula situação de constrangimento. Seu gesto foi elogiado e imitado por outras personalidades, levantando mais uma vez a bandeira da censura a tais gestos que são muito comuns em alguns lugares da Europa e, mais raramente, em campos brasileiros.

 

Em outro evento, os jogadores do Los Angeles Clippers, equipe de basquete norte-americana, ameaçaram boicotar um jogo e jogaram seus uniformes ao chão em protesto contra a declaração do dono do clube que dissera que não queria negros assistindo aos jogos de sua equipe. A posição dos atletas foi compreendida e bem recebida em todos os sentidos.

 

É preciso estar atento à gravidade desta situação. Não se pode permitir que a chacota seja um instrumento de provocação criminosa, sem graça e altamente censurável. Quando a ofensa parte de um grupo grande como uma torcida de futebol, deixa de ser um desvio de comportamento de alguém desvestido de noção civilizada e passa a ser uma característica intrínseca de uma comunidade. É vergonhoso imaginar que a torcida de um clube se preste a tamanha baixaria, aceitando o epíteto de racista, expondo-se ao mundo inteiro como uma sociedade ignorante, preconceituosa e intolerante.